“Donald Trump e a Groenlândia: Perspectivas para um Futuro Acordo Territorial”
Análise do Acordo Proposto entre EUA e Groenlândia: Desafios e Implicações
O que foi anunciado sobre o acordo?
Após diálogos no Fórum Econômico Global em Davos, na Suíça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou a possibilidade de um novo acordo relacionado à Groenlândia. Em sua plataforma Truth Social, Trump destacou que, com base em uma conversa produtiva com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, foi estabelecida uma estrutura para esse futuro acordo.
Embora Trump não tenha fornecido detalhes específicos, reiterou que as discussões continuariam até que um consenso fosse alcançado. Rutte, por sua vez, afirmou que a questão da soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia não foi debatida durante seu encontro com Trump.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, enfatizou que a Dinamarca está disposta a negociar sobre diversos assuntos, mas não abrirá mão de sua soberania. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, também declarou que a soberania é “uma linha vermelha” e que não tem ciência dos detalhes do acordo sendo discutido.
Existe algum detalhe? Quais são as opções?
O jornal The New York Times, citando fontes anônimas, sugeriu que a proposta poderia envolver a cessão, pelo governo dinamarquês, de pequenas áreas da Groenlândia para a construção de bases militares dos Estados Unidos. Esse modelo seria semelhante ao status de bases britânicas em Chipre, que permanecem sob soberania britânica desde 1960.
Contudo, a aplicação desse modelo continua incerta, considerando a relutância da Dinamarca e da Groenlândia em abdicar de sua soberania. Trump mencionou a presença de navios russos e chineses em volta da Groenlândia como uma justificativa para a necessidade de maior presença militar, mas a Dinamarca sustenta que esta ameaça não existe atualmente.
Os aliados da Otan tentaram assegurar os Estados Unidos em relação à segurança no Ártico, onde Rutte afirmou que o acordo incluiria essa contribuição. Ele expressou confiança em que um acordo poderia ser alcançado rapidamente, idealmente no início de 2026.
Trump aprovará um acordo que não preveja ‘propriedade’?
Um acordo firmado em 1951 já permite que os Estados Unidos enviem tropas para a Groenlândia, onde atualmente há mais de 100 militares permanentes na base de Pituffik, no extremo nordeste da ilha. Segundo autoridades americanas, as negociações poderiam focar na renegociação desse acordo.
No entanto, a insistência de Trump em reivindicar a posse da Groenlândia levanta questões complexas. Se o acordo avançar na direção desejada por Trump, ele não apenas ultrapassaria as demandas de soberania, mas também teria que encontrar uma solução para a proibição constitucional de venda de terras na Groenlândia. A base naval americana em Guantánamo, Cuba, poderia servir como um modelo, pois está sob controle dos Estados Unidos desde 1903 através de um contrato de aluguel permanente.
As preocupações quanto à insistência de Trump foram exacerbadas com a divulgação de que as negociações sobre o futuro da Groenlândia estavam ocorrendo sem a participação ativa do governo groenlandês. A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, comentou que não havia solicitado a Rutte que negociasse em seu nome, mas que informasse a Trump sobre as “linhas vermelhas” do governo groenlandês.
Por que Trump quer a Groenlândia? É pelos minerais?
Trump argumenta que a Groenlândia é vital para seus planos de desenvolver um sistema de defesa conhecido como “Domo de Ouro”, projetado para proteger os Estados Unidos contra possíveis ataques de mísseis da Rússia e da China. A ilha também possui vastas reservas de terras raras, que são cruciais para tecnologias modernas, como celulares e veículos elétricos. Embora Trump não tenha declarado abertamente que os Estados Unidos visam as riquezas minerais da Groenlândia, ele destacou que o controle americano da ilha “coloca todos em uma posição muito boa, principalmente em relação à segurança e aos minerais”.
