O receio que gera mais receio

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Reflexões sobre medos ocultos e presságios na vida cotidiana.

Dizem os estudiosos em psicanálise que é extremamente difícil admitir nossos pavores e medos ocultos. Um amigo e ex-colega de faculdade, que se aprofundou em cursos e seminários sobre fenômenos psíquicos, costumava relaxar assistindo a filmes de terror em Porto Alegre.

Ele observava que poucos têm coragem para discutir seus medos, e mesmo aqueles que se abrem raramente mencionam o mais profundo deles: o medo de ter medo. Alguns confessavam dificuldades em dormir com as luzes apagadas, enquanto outros revelavam fobias estranhas, como um amigo que tinha aversão a gatos e suava frio diante de um cachorro rosnando.

Aquelas confissões me levaram a refletir sobre os meus próprios medos. Um deles, que me acompanhou por anos, era o temor de morrer afogado em água rasa, uma preocupação quase tola, originada de um incidente na piscina do clube, onde engoli uma quantidade considerável de água após um mergulho inesperado.

Na infância, acompanhando meu pai no cais do porto, eu ficava fascinado pelas águas do Guaíba. Contudo, a história de um estivador que caiu de um guindaste e desapareceu nas águas escuras me deixou apavorado. Naquele momento, apertava a mão do meu pai com força, buscando segurança.

Embora eu não acreditasse em presságios, minha mãe conhecia pessoas que alegavam ter o dom de prever o futuro. Certa vez, ela mencionou que minha tia Julieta falava do amanhã como se fosse um eco do passado. Um alerta dela para evitarmos o número 2 não foi levado a sério até que um acidente com um bonde de mesmo número ocorreu, confirmando a previsão de forma trágica.

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