Impactos econômicos da guerra no Irã além do aumento do preço do petróleo
Agência Internacional de Energia disponibiliza 400 milhões de barris de petróleo para estabilizar preços globais.
O recente conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã já está gerando repercussões significativas na economia mundial, especialmente no mercado de petróleo.
Desde o início das hostilidades, os preços do petróleo bruto Brent e WTI passaram de cerca de US$ 70 (R$ 364) por barril, refletindo uma pressão crescente sobre os custos dos combustíveis.
Esse aumento é atribuído ao quase fechamento do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma rota crucial que transporta aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos globalmente, após ameaças iranianas a navios na região.
Embora a elevação dos preços fosse esperada, especialistas alertam que as consequências do conflito se estenderão a diversos setores da economia, impactando diferentes regiões do mundo.
Um estudo detalha três áreas principais afetadas pela situação atual.
1. Produção de alimentos sob risco
O conflito está afetando severamente os principais exportadores de fertilizantes, essenciais para a produção agrícola.
Países como Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são grandes fornecedores de fertilizantes nitrogenados, cuja produção depende do gás natural.
Esses fertilizantes são fundamentais para culturas que sustentam cerca de metade da oferta global de alimentos. Apesar de muitos produtores na região continuarem suas atividades, a Qatar Energy, uma importante produtora de ureia, teve que suspender suas operações devido à interrupção no fornecimento de gás causada por ataques iranianos.
Além disso, a situação é agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, que impede a exportação de um terço do suprimento mundial de fertilizantes.
A China, maior exportadora mundial de fertilizantes nitrogenados, também restringiu suas exportações para garantir o abastecimento interno, o que contribui para a alta nos preços.
No Porto de Nova Orleans, os preços dos fertilizantes dispararam de US$ 516 (R$ 2.684) para US$ 683 (R$ 3.552) na primeira semana do conflito, complicando a situação para os agricultores que se preparam para o plantio no Hemisfério Norte.
Analistas preveem que, se o conflito persistir, os consumidores sentirão o impacto nos preços dos alimentos em um a três meses, com possíveis escassezes e custos elevados.
Essa crise pode resultar em fome para populações vulneráveis, conforme alertou o Programa Mundial de Alimentos da ONU.
2. Restrição da distribuição global de medicamentos
A guerra também está afetando a cadeia de suprimentos de medicamentos e produtos farmacêuticos.
Dubai, um centro logístico vital para a indústria farmacêutica, está enfrentando interrupções devido a ataques militares que danificaram suas infraestruturas de transporte.
O aeroporto internacional de Dubai, um dos mais movimentados do mundo, é crucial para a distribuição de medicamentos que exigem controle de temperatura, e a indústria farmacêutica da Índia, que fornece uma grande parte dos medicamentos genéricos e vacinas globais, depende deste hub.
Os danos causados aos portos e aeroportos de Dubai estão dificultando o transporte aéreo de cargas, essencial para a entrega de produtos farmacêuticos.
Embora existam rotas alternativas, elas são menos eficientes e mais caras, o que pode aumentar os preços e reduzir a disponibilidade desses produtos no mercado.
3. Produção de metais, substâncias químicas e eletrônicos
A guerra também impacta a distribuição de elementos químicos e matérias-primas críticas para a indústria, como o enxofre e o alumínio.
Os países do Oriente Médio são responsáveis por uma parte significativa da produção mundial de enxofre, utilizado em fertilizantes e na produção de metais essenciais para a eletrônica.
Com a interrupção do fornecimento devido ao conflito, mineradoras de níquel na Indonésia, que depende do enxofre do Oriente Médio, já relataram cortes na produção.
Além disso, a escassez de ácido sulfúrico, produzido com enxofre, pode afetar a fabricação de semicondutores e chips, essenciais para a produção de dispositivos eletrônicos.
Durante a pandemia de covid-19, o mundo já enfrentou uma
