Moraes desmente visita de conselheiro de Trump a Bolsonaro

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Ministro do STF nega visita de conselheiro de Trump a Jair Bolsonaro.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, reconsiderou uma decisão anterior e negou a visita do conselheiro do ex-presidente americano Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão foi influenciada pela manifestação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que alertou que a visita poderia ser interpretada como uma “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.

Inicialmente, Moraes havia autorizado o pedido de visita de Beattie, mas a defesa de Bolsonaro solicitou a alteração da data marcada.

Vieira esclareceu que as autoridades dos Estados Unidos apenas requisitaram duas reuniões no Ministério das Relações Exteriores, que foram solicitadas na quarta-feira (11), mas ainda não estavam confirmadas pelo Itamaraty.

Além disso, o ministro destacou que não havia qualquer agenda diplomática registrada envolvendo Beattie até a quarta-feira e que o pedido de visita não se alinhava com os objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado americano.

Com isso, Moraes argumentou que a visita de Beattie a Bolsonaro “não se insere no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto” e que não houve comunicação prévia às autoridades brasileiras, o que poderia justificar uma reanálise do visto concedido.

Darren Beattie, que é crítico do governo Lula e do próprio Moraes, já o chamou de “principal arquiteto do complexo de censura e perseguição” contra Bolsonaro. Ele também recebeu agradecimentos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro após as sanções da Lei Magnitsky impostas ao ministro.

Beattie está programado para visitar São Paulo e Brasília com o objetivo de entender o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro e deve se encontrar com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.

Além disso, ele abordará decisões judiciais que resultaram no bloqueio de perfis em redes sociais, no contexto de inquéritos sobre “fake news” e milícias digitais, que estão sob a relatoria de Moraes no Supremo.

O conselheiro também deve ter uma agenda extensa com o Tribunal Superior Eleitoral, que a partir de junho será dirigido por ministros do STF indicados por Bolsonaro, incluindo Kássio Nunes Marques na presidência e André Mendonça como vice.

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