Accenture lança Rapadura Hack Lab e destaca a escassez de profissionais em cibersegurança
Experiência de campo de batalha digital mobiliza profissionais de cibersegurança em São Paulo.
Na última sexta-feira, a sede da Accenture, em São Paulo, foi palco de um evento inovador, o Rapadura Hack Lab. Este evento de capture the flag (CTF) reuniu especialistas em segurança de grandes empresas para simular desafios reais de defesa e ataque cibernético.
A competição homenageou um convidado especial, um jovem prodígio de apenas 12 anos que recentemente conquistou a medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Cibersegurança, realizada na China. Sua vitória é um reflexo do potencial brasileiro na área de tecnologia e segurança digital.
Para a Accenture, o evento não foi apenas um treinamento, mas um alerta sobre a urgência da capacitação profissional no Brasil. A demanda por especialistas em cibersegurança tem crescido significativamente, evidenciando a necessidade de formar novos talentos para atender a esse mercado em expansão.
Atualmente, o Brasil é considerado o epicentro de ataques cibernéticos na América Latina, conforme apontado por relatórios recentes de ameaças. Essa situação aumenta a preocupação sobre a preparação e a necessidade de treinamentos como o oferecido pela Accenture.
IA generativa e o desafio “doce, mas não mole”
O nome Rapadura, que remete à identidade brasileira, foi escolhido por seu criador, diretor do Accenture Cyber Labs na América Latina. A metáfora utilizada reflete a natureza desafiadora do evento, que, embora instigante, apresenta complexidades que exigem alta capacidade técnica dos participantes.
Diferentemente de outros CTFs, o Rapadura se destaca por focar em inteligência artificial generativa (GenAI). Os participantes enfrentaram vulnerabilidades específicas em aplicações que utilizam essa tecnologia, promovendo um aprendizado prático e eficaz.
O evento reproduziu cenários de aplicações feitas com GenAI que apresentavam brechas de segurança. Dessa forma, os participantes puderam explorar essas falhas e aprender a evitar que situações semelhantes ocorressem em suas empresas.
A competição contou com a participação de 20 profissionais de diversas empresas, incluindo grandes nomes do setor como Itaú, Claro, Assaí, Fleury, Dasa, Ultrapar e o Hospital Albert Einstein.
Um ponto positivo destacado foi a representatividade feminina no setor. A equipe do Hospital Albert Einstein, que incluía as únicas duas mulheres participantes do CTF, saiu vitoriosa ao manter a maior pontuação no ranking.
A responsável pela segurança em IA do hospital celebrou a vitória, enfatizando que o aprendizado e a experiência adquirida durante o evento são mais valiosos do que o resultado final.
Cibersegurança como habilitador de negócios
A visão das empresas sobre segurança digital tem evoluído. Atualmente, a cibersegurança é vista como um habilitador de negócios, ao invés de um centro de custo. O papel do Chief Information Security Officer (CISO) se tornou o de um parceiro estratégico, permitindo que as empresas inovem de forma mais rápida e segura.
Embora tecnologias de defesa, como o modelo de segurança zero trust, sejam essenciais, o elo mais fraco na segurança digital ainda é o usuário. Mais de 90% dos ataques são baseados em roubo de credenciais e engenharia social, o que torna a educação e a conscientização fundamentais.
O Brasil, embora enfrente um cenário desafiador de ataques cibernéticos, também valoriza os profissionais capacitados. A necessidade de jovens talentosos e apaixonados pela área, como o jovem medalhista, é crucial para o combate ao cibercrime.
Expansão e novos talentos
A trajetória do jovem vencedor simboliza o futuro que a Accenture busca fomentar. A empresa planeja expandir o Rapadura Hack Lab para outros clientes globalmente e também para o ambiente acadêmico, visando formar novos talentos na área de cibersegurança.
A intenção é exportar a metodologia desenvolvida no Brasil para o mundo, reforçando o país como um polo de excelência técnica. O projeto já foi apresentado em eventos no Chile e busca preparar equipes técnicas para enfrentar a evolução do crime organizado digital.
