Relator da ONU denuncia que Estados Unidos realizam execuções extrajudiciais por meio de bombardeios no Caribe
ONU denuncia ações dos EUA em bombardeios antidrogas no Caribe e Pacífico.
O relator especial da ONU para a luta contra o terrorismo e os direitos humanos, Ben Saul, acusou os Estados Unidos de realizar “execuções extrajudiciais” em suas operações de bombardeio antidrogas nas águas do Caribe e do Pacífico. A declaração foi feita durante uma audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) na Cidade da Guatemala, onde o deslocamento militar americano na região foi discutido.
A campanha marítima do governo americano, iniciada em setembro, visa embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas e já resultou em mais de 150 mortes. Saul enfatizou que essas ações violam gravemente o direito à vida, ao afirmar que os EUA têm realizado ataques militares não provocados que resultam na morte ilegal de supostos narcotraficantes.
O relator também criticou a resposta violenta dos Estados Unidos, que, segundo ele, se disfarça de uma guerra legal, mas que na verdade infringe os direitos humanos em nome do combate ao narcoterrorismo. Ele destacou que o governo Trump não apresentou evidências concretas que comprovem a participação das embarcações atacadas em atividades ilícitas.
De acordo com Saul, as operações resultaram na morte de 151 pessoas, enquanto a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) estima que o número de mortos seja em torno de 157, além de três sobreviventes e nove desaparecidos. Essas estatísticas levantam preocupações sobre a legitimidade das ações militares realizadas.
Em resposta às alegações, o representante dos Estados Unidos, Carl Anderson, defendeu que a audiência se concentrou no direito da guerra, um tema que a comissão ainda não possui competência para julgar. O presidente da CIDH, Stuardo Ralón, esclareceu que o evento serve como um espaço de diálogo, sem fazer parte de um processo formal da comissão.
