Estudo revela que estrelas como o Sol podem não alterar seu padrão de rotação com o envelhecimento
Nova pesquisa revela que estrelas semelhantes ao Sol podem manter padrão de rotação constante ao longo da vida
Entender o comportamento de rotação das estrelas é fundamental para a compreensão de sua evolução. Durante 45 anos, teorias sugeriram que estrelas como o Sol mudariam seu padrão de rotação com o envelhecimento, mas novas evidências indicam que essa ideia pode estar equivocada.
Um estudo recente publicado na revista Nature Astronomy revela que estrelas do tipo solar poderiam manter o mesmo padrão de rotação ao longo de suas vidas. Isso significa que, mesmo com a diminuição da velocidade de rotação ao longo dos bilhões de anos, o equador continuaria a girar mais rapidamente do que as regiões polares. As simulações realizadas sugerem que os campos magnéticos desempenham um papel crucial, impedindo a mudança de padrão que antes era considerada inevitável.
Dinâmica da rotação estelar
Ao contrário da Terra, que gira como um corpo sólido, o Sol é composto por plasma extremamente quente, resultando em diferentes velocidades de rotação em suas várias regiões. O equador solar completa uma volta a cada 25 dias, enquanto as áreas próximas aos polos levam cerca de 35 dias. Esse fenômeno é conhecido como rotação diferencial do tipo solar.
Por muitos anos, as simulações teóricas previam que esse padrão não seria permanente. Com o envelhecimento das estrelas, a rotação global desaceleraria, levando a uma reorganização dos fluxos de plasma em seu interior. As previsões indicavam que, eventualmente, o equador giraria mais lentamente e os polos mais rapidamente, um fenômeno denominado rotação diferencial anti-solar.
O impacto dos campos magnéticos
As novas simulações sugerem que a previsão de mudança de padrão de rotação pode não se concretizar. Os resultados indicam que estrelas semelhantes ao Sol manteriam a rotação diferencial ao longo de suas vidas. Mesmo que a estrela se torne mais lenta com o tempo, o equador continuaria a girar mais rapidamente do que os polos, desafiando as suposições anteriores.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram o supercomputador Fugaku, o mais potente do Japão, para realizar simulações detalhadas do interior de estrelas do tipo solar. Cada estrela simulada foi dividida em cerca de 5,4 bilhões de pontos de cálculo, permitindo uma resolução muito superior à de estudos anteriores.
Esse nível de detalhe é crucial, pois simulações anteriores, com resoluções mais baixas, tendiam a subestimar a influência dos campos magnéticos na dinâmica interna das estrelas. Na nova simulação, os campos magnéticos permaneceram estáveis e demonstraram um efeito significativo: ajudaram a evitar a inversão do padrão de rotação.
Compreender a rotação das estrelas semelhantes ao Sol é essencial para interpretar sua atividade magnética ao longo do tempo. Esse conhecimento está relacionado a fenômenos bem conhecidos no Sol, como o ciclo solar de aproximadamente 11 anos, que regula o surgimento de manchas solares e períodos de atividade magnética. Uma melhor compreensão desses processos pode aprimorar os modelos de evolução estelar utilizados por astrônomos para estudar estrelas distantes.
Imagens | NASA
