Relatório aponta possível escassez de mísseis interceptadores em sistemas de defesa aérea de Israel
Autoridades dos EUA afirmam que estoques israelenses teriam sido reduzidos após confrontos recentes e intensificação do conflito com o Irã
Um relatório divulgado pelo site americano Semafor aponta que Israel enfrenta uma possível redução significativa em seus estoques de mísseis interceptadores utilizados nos sistemas de defesa aérea. A informação teria sido repassada por autoridades da administração dos Estados Unidos, que afirmam que o governo israelense comunicou a situação a Washington durante esta semana.
Segundo o relatório, o desgaste no arsenal estaria relacionado ao elevado consumo de munições defensivas durante confrontos recentes e operações militares ocorridas no último ano. O documento também menciona que os sistemas de defesa aérea israelenses vêm sofrendo pressão adicional diante das novas táticas adotadas pelo Irã.
De acordo com informações citadas pela CNN, Teerã teria passado a utilizar mísseis equipados com ogivas de fragmentação ou munições em cluster, estratégia que dificulta a interceptação pelos sistemas antimísseis e aumenta o número de alvos que precisam ser neutralizados.
Ainda segundo autoridades norte-americanas ouvidas pelo Semafor, os Estados Unidos já tinham conhecimento dessa redução nos estoques israelenses há alguns meses e consideravam o cenário previsível diante da intensidade dos confrontos na região.
Apesar disso, o governo norte-americano afirma que não enfrenta o mesmo nível de escassez e que mantém capacidade suficiente para proteger suas bases militares e tropas estacionadas no Oriente Médio.
O relatório também destaca que permanece incerta uma eventual decisão de Washington de compartilhar parte de seus próprios estoques de mísseis interceptadores com Israel, já que essa medida poderia gerar pressão sobre os suprimentos estratégicos dos Estados Unidos.
Atualmente, Israel conta com diferentes camadas de defesa aérea. Entre elas está o sistema Iron Dome (Domo de Ferro), projetado principalmente para interceptar foguetes e mísseis de curto alcance. Para ameaças de maior alcance, o país utiliza outros sistemas complementares, além do apoio de aeronaves militares em determinadas operações.
O documento também relembra o alto consumo de armamentos defensivos em conflitos recentes. Em junho do ano passado, por exemplo, os Estados Unidos chegaram a disparar mais de 150 mísseis interceptadores do sistema THAAD em cerca de 12 dias de confrontos, número que representava aproximadamente um quarto do estoque disponível naquele período.
Diante desse cenário, o Departamento de Defesa dos EUA teria adotado medidas para ampliar a produção de sistemas antimísseis, incluindo interceptadores THAAD e Patriot, com o objetivo de reforçar as capacidades defensivas em diferentes regiões do mundo.
Analistas avaliam que o cenário atual indica a possibilidade de um conflito prolongado no Oriente Médio, marcado por uma disputa de desgaste entre sistemas ofensivos e defensivos cada vez mais sofisticados.
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