Indicação Geográfica da erva-mate destaca identidade, tradição e potencial econômico

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Expodireto Cotrijal 2026 destaca a Indicação Geográfica da erva-mate como instrumento de valorização cultural e econômica.

A mesa de abertura do fórum foi composta por representantes do setor produtivo, que destacaram a importância da Indicação Geográfica (IG) da erva-mate nas discussões.

No evento, a erva-mate foi ressaltada como um produto que não apenas carrega tradição, mas também um grande potencial de valorização através da sua origem e qualidade. O debate enfatizou que a IG é um selo que vai muito além da certificação técnica.

O estado do Rio Grande do Sul já possui IGs reconhecidas, como os vinhos do Vale dos Vinhedos, e está progredindo em relação à erva-mate, com a região de Machadinho já conquistando esse status. A Indicação Geográfica representa a identidade de uma produção notória e é um reconhecimento significativo para a região.

Produção e cenário atual

O Brasil se destaca como o maior produtor mundial de erva-mate, respondendo por cerca de 80% das exportações globais. O Paraná é o líder nacional, seguido pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No estado gaúcho, a erva-mate é cultivada em mais de cem municípios, especialmente no Norte e Alto Uruguai.

Estima-se que o Rio Grande do Sul produza anualmente mais de 300 mil toneladas de erva-mate, atendendo tanto a demanda interna quanto externa. A produtividade média é de cerca de 9 toneladas por hectare, embora pesquisas indiquem um potencial de até 25 toneladas conforme as técnicas de manejo e condições climáticas.

Em 2026, especialistas observaram um bom desenvolvimento vegetativo da erva-mate, favorecido por chuvas regulares. Contudo, a presença da praga “ampola” demanda atenção constante. Muitos produtores têm recorrido a bioinsumos como alternativas sustentáveis ao controle químico, promovendo uma produção ambientalmente responsável.

Cultura e inovação

A erva-mate é um ícone da cultura gaúcha, sendo o chimarrão uma das muitas formas de consumo. Atualmente, o produto é reinventado em diversas versões, como tererê, sucos, refrigerantes e cosméticos. Essa diversificação demonstra que a erva-mate é sinônimo de tradição e inovação, dialogando com diferentes públicos e mercados.

O coordenador de projetos do Sebrae RS ressaltou que o valor da erva-mate reside não apenas no produto em si, mas também na sua representação cultural. Ele destacou que produtos como carne, vinho e arroz são referências no estado, contribuindo para a abertura de novos mercados, já que os consumidores desejam entender a origem dos produtos que consomem.

Potencial econômico e territorial

A Indicação Geográfica pode abrir portas para mercados exigentes, como a União Europeia e América do Norte, onde a rastreabilidade e autenticidade são diferenciais importantes. Além disso, fortalece o mercado interno, favorecendo o consumo em várias formas e incentivando a criação de novos produtos.

O efeito vai além do econômico: a IG pode transformar regiões produtoras em destinos turísticos, integrando cultura, gastronomia e experiências únicas. O exemplo do Vale dos Vinhedos ilustra como a valorização de um produto pode impulsionar o turismo e o desenvolvimento territorial.

Sustentabilidade e preservação

A Indicação Geográfica estimula práticas de manejo sustentável e regenerativo, ajudando a preservar a biodiversidade e fortalecer as comunidades locais. A erva-mate, cultivada em sistemas agroflorestais, é uma contribuição significativa para a conservação ambiental e a resiliência das propriedades frente a eventos climáticos extremos.

Fórum Florestal e integração institucional

O debate na Expodireto reuniu representantes de diversas instituições, demonstrando que a valorização da erva-mate é um esforço coletivo. O Sebrae RS tem trabalhado no mapeamento dos polos produtores e na consolidação da Indicação Geográfica como uma estratégia de desenvolvimento territorial.

O evento concluiu com o anúncio da nova edição do Concurso Árvores Gigantes do RS, que em 2026 focará no angico, ressaltando a importância da preservação ambiental e da valorização das espécies nativas, unindo ciência, cultura e sustentabilidade.

A Indicação Geográfica da erva-mate é, portanto, um importante instrumento

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