Iranianos em busca de liberdade: acompanhando a guerra no exílio
Ativistas curdos enfrentam a opressão e buscam esperança em meio ao conflito no Iraque.
Farhad Sheikhi, um ativista curdo iraniano, recorda com emoção os momentos de terror durante os protestos de 2022 contra o governo. Após fugir para o Iraque, ele observa com preocupação os recentes ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
“Eu vi literalmente o inferno”, relata o curdo de 34 anos em Suleimaniya, enquanto exibe fotos dos protestos que capturou, mostrando a brutalidade enfrentada pelos manifestantes.
A segurança da sua família no Irã é sua principal preocupação. Com a implementação de um apagão cibernético no país, Sheikhi depende de um amigo que ocasionalmente consegue se conectar para obter notícias sobre seus entes queridos.
“Ele liga para o meu pai e me conta como eles estão. É a única forma de ter notícias deles”, explica Sheikhi.
Voltar ao Irã não é uma opção viável para ele, que sonha em viajar para a Alemanha para concluir seus estudos em Direito. Com a guerra se intensificando, as condições de vida na região se tornam cada vez mais difíceis.
“Não perco a esperança de que um dia uma revolução social me permita voltar, mas no momento o risco é grande demais”, afirma.
Após a violenta repressão aos protestos de janeiro, que resultaram em milhares de mortes, Sheikhi fugiu para o Curdistão iraquiano em busca de segurança.
O ativista não é novo na luta contra o regime iraniano. Ele já havia participado de protestos em 2022, em resposta à morte de Mahsa Amini, uma jovem que faleceu sob custódia policial após ser detida por violar o rígido código de vestimenta. Durante esses eventos, Sheikhi foi preso três vezes e sofreu torturas que resultaram em perda auditiva.
“A repressão contra o povo, a matança, foi massiva. Eu mesmo vi”, relata ele, relembrando os horrores dos últimos meses.
Aresto Pasbar, outro iraniano que fugiu após os protestos de 2022, também viveu experiências traumáticas. Ele foi atingido por balas de espingarda, resultando na perda da visão em um dos olhos e em várias cirurgias. Após ser interceptado ao tentar entrar ilegalmente na Europa, conseguiu asilo na Alemanha, mas decidiu retornar ao Curdistão iraquiano para se juntar aos combatentes curdos.
Pasbar expressa sua determinação: “Não poderia permanecer naquele conforto e ver o meu povo sendo oprimido”. Ele está ciente dos riscos que corre, sabendo que pode não voltar a ver sua família.
“Se eu morrer, por favor, defendam seus direitos”, disse ele à sua família antes de partir.
Amina Kadri, que perdeu seu marido e filho em circunstâncias trágicas, também clama por justiça. Seu marido, um membro de um grupo armado curdo, foi assassinado perto da fronteira, e seu filho foi executado no Irã. Kadri, que agora vive no Curdistão iraquiano, deseja a queda do regime iraniano para poder vingar a morte de seus entes queridos.
“Minha vida não é mais valiosa que a do meu filho ou do meu marido”, desabafa Kadri, expressando seu desejo de justiça em meio à dor e ao sofrimento que sua família enfrentou.
