Especialista pioneira alerta para a perda de sentido de diagnóstico comum na medicina atual

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Especialista questiona utilidade do conceito de espectro do autismo como diagnóstico clínico.

Uma das principais especialistas na área do autismo levantou preocupações sobre a eficácia do conceito de “espectro do autismo” na prática clínica. Segundo a pesquisadora, a ampliação dos critérios diagnósticos pode ter tornado o termo excessivamente abrangente.

A avaliação foi feita por uma renomada professora emérita de uma instituição de ensino superior, que tem contribuído para a pesquisa sobre o Transtorno do Espectro Autista desde a década de 1960. Ela esteve envolvida em estudos fundamentais que ajudaram a definir o conceito de espectro e suas implicações.

Em uma recente entrevista, a especialista expressou que a expansão dos critérios diagnósticos ao longo dos anos resultou na inclusão de grupos muito distintos, tornando o diagnóstico menos útil para a prática médica.

“O espectro tornou-se tão abrangente que temo que tenha sido esticado a tal ponto que perdeu o sentido e deixou de ser útil como diagnóstico médico”, disse.

O aumento dos diagnósticos nas últimas décadas

Dados recentes do sistema de saúde do Reino Unido revelam um aumento significativo no número de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista. Em 1998, apenas 0,1% da população era diagnosticada com autismo, enquanto em 2024 essa proporção subiu para 1,33%.

De acordo com a especialista, os casos mais clássicos, que geralmente são identificados na infância e apresentam dificuldades mais evidentes, permaneceram relativamente estáveis. O crescimento nos diagnósticos é mais notável entre casos considerados mais leves, abrangendo adolescentes e adultos que foram avaliados tardiamente.

“As pessoas ainda se apegam à ideia de que existe algo que une todas as pessoas diagnosticadas com autismo. Eu não acredito mais nisso”, afirmou a especialista.

Diferenças entre os perfis incluídos no espectro

A ampliação do conceito de espectro resultou na inclusão de indivíduos com características bastante distintas na mesma categoria diagnóstica. Alguns dos perfis mais comuns incluem pessoas com alta sensibilidade social ou sensorial, além de aquelas que enfrentam ansiedade em situações sociais.

Pesquisas realizadas em países como os Estados Unidos e a Suécia também indicam um aumento nos diagnósticos entre mulheres, especialmente durante a adolescência e na vida adulta.

A especialista sugere que parte dessa expansão pode estar relacionada à inclusão de características que, anteriormente, poderiam ser vistas apenas como traços de personalidade ou diferenças individuais.

Diagnósticos são baseados em avaliação clínica

Outro ponto destacado pela pesquisadora é que o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista carece de biomarcadores definidos, como exames laboratoriais ou de imagem que possam confirmar a condição.

Assim, a identificação do transtorno depende principalmente da avaliação clínica, que se baseia no comportamento, na comunicação e em padrões de interação social. Segundo a especialista, essa característica pode levar a interpretações mais amplas dos critérios diagnósticos.

A proposta de reorganizar o diagnóstico

Diante dessas considerações, a pesquisadora sugere que a comunidade científica reavalie a classificação atual, propondo a criação de subgrupos mais específicos.

“Eu definitivamente não diria que estão ‘inventando’. Mas diria que esses são problemas que talvez possam ser tratados muito melhor do que sob o rótulo de ‘autismo’”, explicou.

Na visão da especialista, a separação desses grupos — entre aqueles diagnosticados na infância e aqueles com diagnóstico tardio — poderia facilitar tanto as avaliações quanto a interpretação de estudos científicos, que atualmente analisam populações heterogêneas dentro do mesmo espectro.

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