Estados Unidos buscam soberania tecnológica, mas dependem de outros países para suas construções
Estados Unidos buscam soberania tecnológica no setor de semicondutores.
Os Estados Unidos iniciaram um esforço significativo para alcançar a soberania tecnológica, um objetivo que também é compartilhado por outras potências como a Europa e a China. A meta é reduzir a dependência de países estrangeiros na produção de indústrias essenciais.
Embora a indústria americana de semicondutores esteja em crescimento, esse avanço ainda é fortemente influenciado por empresas estrangeiras. Isso levanta questões sobre a verdadeira autonomia do setor, visto que as mesmas empresas dominantes estão agora operando em solo americano.
A Applied Materials, uma das principais fornecedoras de equipamentos para a fabricação de semicondutores, é um exemplo desse cenário. A empresa está se posicionando para competir mais efetivamente com a ASML, a líder de mercado europeia, através de investimentos estratégicos.
Recentemente, a Applied Materials formou uma aliança de pesquisa com a Micron e a SK Hynix, duas gigantes do setor de memória. Embora os detalhes financeiros dessa parceria não tenham sido divulgados, ela representa um passo significativo para o EPIC Center, uma iniciativa que visa fortalecer a capacidade de inovação nos Estados Unidos.
EPIC
O EPIC, que significa “Equipamentos, Inovação de Processos e Comercialização”, é uma instalação de US$ 5 bilhões localizada no Vale do Silício. Com previsão de início das operações em breve, essa instalação é o maior investimento do país em pesquisa e desenvolvimento de equipamentos semicondutores avançados.
Com uma sala limpa de 16,7 mil m², o EPIC tem como objetivo acelerar o desenvolvimento de equipamentos e processos para a fabricação de chips de memória avançados. Embora não tenha a intenção de competir diretamente com a ASML, a iniciativa está criando as bases para que os Estados Unidos alcancem a independência tecnológica que atualmente lhes falta.
Os “galáticos” da IA
O foco inicial do EPIC será no desenvolvimento de máquinas que possibilitem a criação de chips de memória avançados em um ciclo de tempo mais curto do que os atuais 10 a 15 anos. A Micron e a SK Hynix são cruciais para esse avanço, dado seu papel proeminente na memória avançada para inteligência artificial.
A entrada dessas empresas como parceiras fundadoras no EPIC acelerará o desenvolvimento de chips de memória de última geração, essenciais para atender às crescentes demandas do setor de inteligência artificial.
Além disso, a Applied Materials também recrutou a Samsung para integrar o EPIC. Essa colaboração é estratégica, pois a Samsung, junto com a SK Hynix e a Micron, já lidera o desenvolvimento de memória de alta largura de banda para IA. A união de esforços no EPIC permitirá uma redução significativa nos prazos de entrega para futuras gerações de chips.
Invasão sul-coreana…
Apesar de cada empresa continuar sua própria competição e investimento em pesquisa e desenvolvimento, a colaboração no EPIC permitirá que compartilhem expertise e experiência, acelerando o progresso tecnológico. A Micron está concentrada em memórias de alta largura de banda, enquanto a SK Hynix investe em novos materiais e técnicas de embalagem para chips de memória.
No entanto, um desafio persiste: duas das três empresas envolvidas são estrangeiras. Durante a administração de Donald Trump, um dos objetivos era revitalizar a indústria americana com empresas locais. O resgate da Intel, que enfrentava dificuldades, é um exemplo de como o governo buscou incentivar a produção interna.
Com a crescente demanda por soluções de IA e a necessidade de reduzir a dependência da ASML, os Estados Unidos estão percebendo que as empresas estrangeiras estão se estabelecendo com força no mercado americano.
E taiwanesa
A TSMC, uma gigante taiwanesa, também se destaca nesse cenário. A empresa está considerando expandir suas operações, especialmente diante da instabilidade entre China e Taiwan. Embora já possua uma fábrica nos Estados Unidos, está adquirindo mais terrenos para aumentar sua capacidade produtiva.
Portanto, os Estados Unidos estão se reindustrializando e tomando medidas para se tornarem um player relevante na fabricação de semicondutores. No entanto, uma parte significativa do apoio necessário para essa soberania tecnológica ainda vem do exterior.
