Polícia Legislativa inicia investigação sobre vazamento de dados de Vorcaro
Investigação sobre vazamentos de dados do INSS ganha novos desdobramentos.
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Carlos Viana, anunciou que a Polícia Legislativa do Congresso Nacional irá apurar o vazamento de informações relacionadas à quebra de sigilos do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Viana reconheceu que houve tentativas de vazamentos de informações que deveriam permanecer restritas à investigação. Ele enfatizou que dados pessoais do investigado não são relevantes para a CPMI, que busca entender a relação de Vorcaro com entidades do governo e o sistema financeiro, além de esclarecer o destino do dinheiro desviado dos cidadãos.
Em uma decisão recente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça proibiu o acesso da CPMI a dados apreendidos que estão armazenados na sala-cofre da comissão. O senador pretende questionar o gabinete do ministro sobre a devolução desse material, assim que as informações privadas forem removidas.
Banco Central
O senador Carlos Viana também confirmou a intenção de convocar para depor na CPMI o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente, Roberto Campos Neto.
As oitivas simultâneas visam ouvir as perspectivas de ambos sobre o Caso Master e a oferta de crédito consignado em benefícios do INSS, buscando evitar um confronto político entre governo e oposição. Viana observou que tanto Galípolo quanto Campos Neto têm responsabilidades a esclarecer sobre o escândalo, que se estende por diferentes administrações.
“Minha ideia é que ambos compareçam juntos e respondam a todas as perguntas de forma clara e transparente ao país”, afirmou o presidente da CPMI.
Operação Sem Desconto
Em relação à nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, Carlos Viana mencionou que a deputada Maria Gorete Pereira, indicada como uma das figuras centrais do esquema, foi frequentemente citada durante as audiências da CPMI.
O senador previu a possibilidade de novas prisões, destacando que já são 14 os detidos relacionados ao escândalo do INSS. Ele ressaltou que a CPMI atua em colaboração com órgãos de investigação e controle, enfrentando um esquema que prejudicou aposentados e pensionistas e que comprometeu parte do Estado brasileiro.
Igreja Lagoinha
Questionado sobre possíveis repasses de emendas parlamentares para uma associação ligada à Igreja Batista Lagoinha, Carlos Viana afirmou que seis igrejas foram mencionadas nas investigações e que todos os sigilos bancários dos envolvidos foram quebrados.
A Igreja Batista da Lagoinha está sendo investigada no contexto da Operação Compliance Zero, devido à ligação do cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, que foi apontado como operador financeiro do Banco Master. A instituição nega qualquer associação com Vorcaro e afirma que Zettel atuava como voluntário.
Durante a coletiva, Viana negou que a Igreja Lagoinha tenha recebido recursos do INSS, esclarecendo que a relação entre um pastor da igreja e o Banco Master é de natureza separada.
Banco C6
O presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, anunciou a suspensão de novas operações de crédito consignado com o Banco C6, devido a descumprimentos de regras e cobranças indevidas. Essa medida visa garantir a restituição dos valores aos aposentados e pensionistas, com a devida correção.
“Sempre foi um apelo dessa presidência interromper práticas abusivas, proteger o aposentado e responsabilizar os errados”, destacou Viana.
Prorrogação da CPMI
Por fim, Carlos Viana defendeu a prorrogação dos trabalhos da CPMI, que atualmente estão previstos para encerrar em 28 de março.
“É um ano eleitoral, mas não podemos perder o foco de investigar o rombo na Previdência e garantir que isso não se repita na história do país”, concluiu o presidente da comissão.