Moraes nega saída temporária do ‘Hacker de Araraquara’ por ausência de comprovação legal
Ministro do STF nega saída temporária do hacker Walter Delgatti Neto
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de saída temporária de Walter Delgatti Neto, conhecido como o “Hacker de Araraquara”. A decisão impede que o detento deixe a prisão nesta terça-feira (17).
No início deste mês, a administração da Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, localizada em Tremembé (SP), informou ao STF que Delgatti preenchia os requisitos necessários para a saída temporária prevista para março de 2026, que ocorreria entre os dias 17 e 23, com o uso de tornozeleira eletrônica.
Após receber a comunicação, Moraes encaminhou os documentos à Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão destacou que o ofício da penitenciária era genérico, limitando-se a indicar as datas da saída, mas sem comprovar a finalidade exigida pela Lei de Execução Penal, que requer a frequência em cursos supletivos ou de ensino superior.
Moraes acatou o parecer da PGR e, em decisão publicada na sexta-feira (13), concluiu que os requisitos não estavam adequadamente preenchidos, negando assim o benefício. Na terça-feira, a defesa de Delgatti protocolou um pedido de reconsideração no STF, anexando um ofício complementar da penitenciária.
No novo documento, Rodolfo Duarte Costa, chefe de divisão da penitenciária, esclareceu que a saída programada não tinha fins educacionais, mas visava à ressocialização por meio de visitas à família, conforme a Portaria Conjunta 02/2019 dos Deecrims da 9ª Região Administrativa Judiciária de São José dos Campos.
Quem é Delgatti
Walter Delgatti, amplamente reconhecido como o “Hacker de Araraquara” ou “Vermelho”, foi condenado pelo STF a 8 anos e 3 meses de reclusão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos, incluindo uma ordem de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes, com assinatura falsificada.
A ex-deputada federal Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão e à perda do mandato, sendo apontada como mentora do crime. Seu nome foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.
Antes dessa condenação, Delgatti já enfrentava outro processo. Na Operação Spoofing, foi condenado em primeira instância a 20 anos de reclusão por hackear autoridades ligadas à extinta Operação Lava Jato e vazar mensagens obtidas de forma ilegal. Este caso ainda está em tramitação na Justiça Federal em Brasília, e Delgatti responde ao processo em liberdade.
Delgatti chegou à Penitenciária 2 de Tremembé em fevereiro de 2025 para cumprir a pena imposta pelo STF. Em dezembro do mesmo ano, ainda em regime fechado, foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim, também no Vale do Paraíba. Em janeiro de 2026, após a decisão de Moraes que deferiu a progressão para o regime semiaberto, ele retornou à unidade de Tremembé.
