Pesquisador da Embrapa adapta motocicleta para criar mini trator voltado a pequenos agricultores
Inovação transforma motos em mini tratores, beneficiando pequenos produtores rurais.
Uma solução simples e acessível está revolucionando a realidade de pequenos produtores rurais no Brasil: a adaptação de motocicletas em “mini tratores”.
Desenvolvida por um pesquisador da Embrapa Algodão, essa tecnologia se apresenta como uma alternativa viável e de baixo custo para mecanizar atividades no campo, especialmente em áreas com acesso limitado a máquinas agrícolas.
A inovação foi um dos destaques da primeira edição da Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para Agricultura Familiar, que ocorreu na Expo Dom Pedro, em Campinas (SP).
A proposta consiste em aproveitar um equipamento já comum entre muitos agricultores, especialmente no Nordeste, transformando-o em uma fonte de potência para diversas atividades na propriedade.
O equipamento substitui a tração animal, convertendo a moto em uma fonte de potência capaz de operar diferentes implementos e atender praticamente todas as atividades agrícolas. Essa inovação já vem sendo utilizada por agricultores, atendendo à demanda por mecanização, uma vez que muitos deles não têm condições financeiras de adquirir um trator.
Com essa adaptação, a motocicleta opera como um pequeno trator, acionando diversos implementos agrícolas. Na prática, essa solução amplia o acesso à mecanização, reduzindo custos operacionais e aumentando a eficiência das atividades no campo.
Tecnologia acessível e foco na produtividade
A mecanização é considerada uma das principais estratégias para aumentar a produtividade e reduzir custos na agricultura familiar.
Durante a feira, outras inovações também atraíram atenção, como pulverizadores de menor porte e versões elétricas, desenvolvidas para diminuir gastos com combustível.
Os equipamentos são projetados para tratores de baixa potência, mais adequados à realidade dos pequenos produtores.
Um destaque adicional foi uma colheitadeira de açaí, desenvolvida para atender produtores da região amazônica.
Esse equipamento foi criado para minimizar a penosidade e os riscos da colheita, que tradicionalmente é realizada de forma manual e em alturas elevadas.
Após cinco anos de pesquisa na Amazônia, a tecnologia foi aprimorada para enfrentar os desafios da colheita, reduzindo o esforço físico e a exposição a acidentes, além de contribuir para a diminuição do trabalho infantil e facilitar a inclusão da mão de obra feminina.
Essa tecnologia não apenas melhora as condições de trabalho, mas também pode aumentar significativamente a produtividade. A colheita, que costumava ser de cerca de 120 kg por período, pode alcançar até 500 kg, podendo chegar a 1 tonelada por dia.
Programa aposta em mecanização e capacitação
A feira também foi palco da apresentação do programa Mecaniza Mais, uma iniciativa voltada à ampliação do acesso a máquinas na agricultura familiar.
O projeto, idealizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com instituições de ensino, combina a oferta de equipamentos com capacitação técnica para os produtores.
A proposta visa acelerar a adoção de tecnologias no campo, fortalecendo a produção de alimentos com mais eficiência e sustentabilidade.
