Justiça gaúcha congela bens e contas de revenda que não devolvia valores a proprietários de veículos
Justiça bloqueia bens de revenda de veículos após denúncia de fraudes em Pelotas
A Justiça do Rio Grande do Sul determinou o bloqueio de contas bancárias, bens e veículos de uma revenda de automóveis seminovos em Pelotas, que deixou de repassar valores a proprietários de veículos vendidos. A medida foi solicitada pelo Ministério Público e ocorreu após a prisão preventiva do dono da empresa.
O processo judicial revela uma série de denúncias que indicam práticas fraudulentas recorrentes. Proprietários eram abordados com propostas de venda de seus automóveis a preços próximos à Tabela Fipe, com pagamentos parcelados, mas os veículos eram revendidos a terceiros por valores inferiores, sem a quitação correta com os vendedores originais.
Até o momento, o prejuízo acumulado chega a aproximadamente R$ 1,72 milhão, conforme os documentos apresentados pelo Ministério Público. O material inclui registros de ocorrências policiais e informações do Procon de Pelotas, que corroboram um padrão de comportamento similar, levantando suspeitas de fraude no esquema.
Os responsáveis pela revenda atribuíam as pendências financeiras a dificuldades, e chegaram a anunciar a suspensão das atividades do negócio. Diante da evidência de insolvência e do risco de dilapidação patrimonial, o bloqueio de R$ 1.719.936 foi imposto, abrangendo as contas da empresa e de seus sócios, além da indisponibilidade de imóveis.
O promotor José Alexandre Zachia Alan, responsável pelo caso, afirmou que a ação judicial visa proteger os consumidores afetados por um esquema repetido de descumprimento contratual. O bloqueio é fundamental para garantir que eventuais valores recuperados possam ressarcir as vítimas dos prejuízos.
A defesa da empresa, em nota divulgada nas redes sociais, contestou as acusações e afirmou que o proprietário nunca agiu de forma ilícita. Segundo a defesa, ele sempre se colocou à disposição das autoridades e demonstrou interesse em resolver as pendências financeiras de maneira amigável.
Os advogados ressaltaram que os débitos decorrem de insolvência empresarial, e não de práticas ilegais. O investigado prometeu vender um imóvel particular para garantir a quitação das dívidas, afirmando que não obteve vantagens financeiras em meio à crise de sua revenda.
