Produtor de café alerta sobre impacto da alta do diesel e fertilizantes no preço para o consumidor

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Produção de café em Minas Gerais enfrenta aumento de custos devido a conflitos internacionais.

Os produtores de café em Minas Gerais já estão sentindo os efeitos da instabilidade no Oriente Médio. O aumento nos preços de fertilizantes, diesel e frete tem pressionado os custos de produção, o que pode impactar o consumidor final em breve.

Fernando Barbosa, presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas Gerais, destaca que o impacto é percebido em cadeia, mesmo antes do início da colheita. A alta nos insumos já afeta diretamente o manejo do cafezal, especialmente na fase de adubação.

Parte dos fertilizantes utilizados na cultura, como a ureia, é importada de regiões afetadas pelos conflitos, levando a um aumento significativo nos preços. Barbosa comenta: “Já adquirimos insumos com aumento. A questão do conflito e das rotas logísticas impacta diretamente o custo da nutrição do café.”

Além dos fertilizantes, o aumento do preço do petróleo reflete diretamente no custo do diesel, que é essencial para todas as etapas da produção. O encarecimento do combustível afeta tanto o transporte de insumos quanto a operação de máquinas e a colheita.

O frete também já apresenta alta, agravando ainda mais a situação. Barbosa afirma: “A logística encarece tanto para levar os insumos quanto para escoar a produção. Isso já está acontecendo agora, antes mesmo da colheita.”

As projeções no campo indicam um aumento significativo nos custos ao longo da safra 2025/26, com uma expectativa de alta entre 20% e 30%, impulsionada principalmente pelo encarecimento dos insumos e da logística.

No sudoeste de Minas Gerais, a colheita deve começar entre o fim de abril e o início de maio, atingindo seu pico entre junho e setembro. Apesar de uma safra promissora, favorecida por boas condições climáticas, a preocupação com os altos custos persiste. Barbosa observa: “Era um ano para aliviar o custo de produção, mas estamos vendo o contrário.”

Com a elevação dos custos no campo e na logística, a tendência é que esses aumentos sejam repassados ao longo da cadeia produtiva. Segundo Barbosa, “o aumento inevitavelmente deve impactar o preço final do café.”

Ele alerta que “tudo isso vai chegar ao bolso do consumidor. Não tem como absorver esse custo sozinho.” Além disso, o produtor destaca a dependência do setor em relação aos combustíveis fósseis, ressaltando que, mesmo com avanços tecnológicos, grande parte das operações agrícolas ainda depende do diesel e da gasolina.

“Não temos máquinas totalmente elétricas no campo. Toda a operação depende do petróleo, desde o transporte até a colheita,” conclui Barbosa.

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