TCU aponta deficiências nas ações contra o tráfico em portos brasileiros

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TCU aponta falhas no combate ao tráfico de drogas nos portos brasileiros

Uma auditoria operacional realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revelou deficiências significativas na luta contra o tráfico internacional de drogas nos portos do Brasil. O relatório, concluído em 2026, destaca a falta de coordenação entre a Receita Federal e a Polícia Federal, o que compromete investigações e pode resultar na perda de provas cruciais.

O estudo identificou uma sobreposição de funções entre os órgãos envolvidos, o que pode levar à quebra da cadeia de custódia. Essa situação compromete vestígios importantes, como digitais e DNA, antes da perícia criminal, reduzindo as chances de responsabilização dos criminosos. O foco das operações permanece na apreensão de drogas, em vez de desarticular as organizações criminosas.

Além disso, a auditoria apontou a ausência de sistemas de monitoramento marítimo em grande parte dos portos brasileiros. A falta de tecnologia, como o Sistema de Gerenciamento de Informações de Tráfego de Embarcações (VTMIS), resulta em áreas vulneráveis próximas aos navios, facilitando a inserção de drogas em cascos e transferências em alto-mar.

O TCU também observou que o Brasil se tornou uma rota estratégica para o envio de cocaína à Europa, devido ao alto volume de cargas movimentadas e ao elevado valor da droga no exterior. Táticas como o método rip-on/rip-off, onde a droga é inserida em contêineres sem o conhecimento do exportador, são frequentemente utilizadas pelos traficantes.

O relator do processo, ministro Augusto Nardes, sugeriu medidas para aprimorar o sistema de combate ao tráfico. O Tribunal estabeleceu um prazo de 180 dias para que a Polícia Federal e a Receita Federal elaborem uma portaria conjunta com diretrizes para preservar provas e coordenar suas ações nos portos.

O TCU também recomendou que a modernização da infraestrutura portuária seja orientada por critérios de segurança pública. A avaliação é de que o país deve mudar de uma abordagem focada na apreensão de drogas para um modelo que priorize a inteligência e a investigação criminal.

Outras medidas sugeridas incluem investimentos em monitoramento, capacitação de servidores e alterações na governança da segurança portuária. Essas recomendações não têm prazo obrigatório e dependem da implementação pelo governo federal.

O jornal digital tentou contato, por e-mail, com a Polícia Federal e a Receita Federal, mas não obteve resposta até o momento. O espaço continua aberto para manifestações.

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