Deputada que se apresentou como branca na Alesp e parda no TSE após polêmica de “blackface”

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Controvérsia marca a atuação da deputada Fabiana Bolsonaro na Alesp.

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) gerou polêmica ao se pintar como uma pessoa negra durante uma sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo, na última quarta-feira (18). Essa ação vem à tona em meio a uma contradição em sua autodeclaração racial feita ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2022, onde se declarou como pessoa parda, enquanto em seu discurso no plenário se identificou como branca.

A autodeclaração racial é um procedimento que permite aos candidatos se classificarem de acordo com sua percepção de identidade racial, e é registrada na plataforma DivulgaCandContas, administrada pelo TSE. Essa classificação é crucial, pois impacta na distribuição de recursos do Fundo Eleitoral, onde a inclusão de candidatos pardos ajuda os partidos a cumprir as cotas raciais.

É importante destacar que a autodeclaração pode variar entre diferentes pleitos eleitorais. No caso de Fabiana, em 2020, durante sua candidatura à vice-prefeita de Barrinha (SP), ela se declarou como branca. Essa mudança de classificação gerou questionamentos sobre a autenticidade de sua identidade racial.

Durante seu discurso, Fabiana Bolsonaro reconheceu sua identidade como mulher branca e enfatizou que sua pintura não a tornaria capaz de compreender as dificuldades enfrentadas por pessoas negras. Ela afirmou: “Vocês estão vendo: eu sou uma mulher branca, eu tive os privilégios de uma pessoa branca em todo o decorrer da minha vida”.

O ato de se pintar foi uma forma de protesto contra a eleição da deputada Erika Hilton (Psol-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres na Câmara dos Deputados. Fabiana argumentou que, assim como a sua representação não a tornaria uma pessoa negra, a deputada Hilton, por ser trans, não teria a vivência das mulheres.

A situação gerou reações e foi denunciada ao Ministério Público pela deputada Ediane Maria. Além disso, colegas parlamentares apresentaram uma representação ao Conselho de Ética, acusando Fabiana Bolsonaro de atacar a identidade de gênero de pessoas transexuais e de praticar ‘blackface’, uma ação historicamente ligada à ridicularização de pessoas negras.

Em resposta, Erika Hilton utilizou suas redes sociais para criticar a deputada, afirmando que Fabiana é uma “farsa ambulante” que, ao se declarar parda, ajudou seu partido a cumprir cotas de candidaturas negras, ocupando o espaço de uma mulher negra. Hilton também anunciou que levará o caso à Justiça Eleitoral.

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