Microsoft lançou a Encarta em 1993 para transformar o acesso ao conhecimento, mas 20 anos depois foi descontinuada
A Encarta, a enciclopédia digital que revolucionou o acesso ao conhecimento, chega ao fim.
Ela se tornou tão popular que seu logotipo e o som de suas introduções se tornaram reconhecíveis em todo o mundo. Para quem viveu entre a segunda metade da década de 1990 e o início dos anos 2000, a Encarta é um nome familiar.
Antes da ascensão da Wikipédia e da popularização da internet, a Microsoft lançou a Encarta, uma enciclopédia digital que transformou o acesso à informação entre 1993 e 2009. Este produto inovador permitiu que estudantes deixassem para trás as enciclopédias de papel, oferecendo uma forma rápida e educativa de encontrar conhecimento com apenas um clique.
Além de artigos, a Encarta incluía vídeos, áudio, visitas virtuais e jogos, proporcionando uma experiência interativa e envolvente. Os usuários podiam explorar, por exemplo, templos nepaleses sem sair de casa, apenas clicando em sua enciclopédia digital.
A popularidade da Encarta foi tão significativa que ameaçou a sobrevivência das enciclopédias tradicionais impressas. Na época de seu lançamento, seus criadores destacavam que o CD-ROM da Encarta continha informações equivalentes a 29 volumes impressos, que ocupariam 1,2 metros em uma estante.
O sucesso inicial levou a várias edições em diversos idiomas, mas a incapacidade da Encarta de se adaptar às novas demandas do mercado na década de 2000 resultou em seu declínio. Enquanto seu auge foi marcado por uma estratégia comercial eficiente, seu fracasso se deu pela falta de inovação em um cenário em rápida transformação.
O objetivo de reinventar enciclopédias
Nos anos 80, a Microsoft começou a explorar a criação de uma enciclopédia digital. A proposta era ambiciosa: repensar um produto que parecia maduro e autossuficiente. A empresa tentou negociar com a Enciclopédia Britannica para garantir um conteúdo respeitável, mas não teve sucesso.
Na época, a Britannica vendia bem e gerava lucros substanciais, o que tornava a digitalização de seu conteúdo uma proposta arriscada. A Microsoft não desistiu e iniciou o Projeto Gandalf, estabelecendo um contrato com a Funk & Wagnalls para utilizar sua Nova Enciclopédia, complementada por outras fontes ao longo dos anos.
Após um período de incertezas, a Microsoft revitalizou o projeto em 1991 e lançou a primeira edição da Encarta em 1993, que incluía 25.000 artigos e material extra. Apesar de sua praticidade e interatividade, a Encarta enfrentou um desafio significativo: muitos lares ainda não possuíam computadores, e seu preço elevado limitou o acesso.
Em resposta, a Microsoft implementou uma estratégia agressiva de marketing, reduzindo o preço da Encarta e promovendo-a como parte de pacotes de software, o que rapidamente aumentou sua popularidade e permitiu o lançamento de edições sucessivas e traduções para outros idiomas.
A Encarta começou a oferecer versões resumidas de artigos para assinantes e, em 1998, adquiriu direitos de diversas enciclopédias eletrônicas, demonstrando uma clara mudança no setor. Com recursos multimídia, a Encarta conquistou uma geração de estudantes, mas enfrentou a dura realidade do acesso gratuito à informação.
O fiasco da Wikipédia
Após anos de sucesso, a Encarta começou a declinar com a chegada da Wikipédia em 2001, uma enciclopédia online colaborativa e gratuita. Apesar de suas desvantagens em termos de controle de conteúdo, a Wikipédia rapidamente conquistou o público por sua acessibilidade e modelo aberto.
Com o aumento da popularidade da Wikipédia, a Microsoft tentou ajustar sua estratégia, reduzindo o preço da Encarta e buscando a colaboração de usuários para a criação de conteúdo. Entretanto, essa abordagem não teve sucesso, pois os colaboradores enfrentavam a possibilidade de ver seu trabalho não publicado, o que desestimulava a participação.
Além disso, a Microsoft lançou uma edição online da Encarta em 2000, mas o modelo freemium não foi eficaz. Apesar de ter um número considerável de artigos, a Encarta não conseguiu competir com a vasta quantidade de informações disponíveis na Wikipédia.
Em 2009, a Microsoft anunciou o fim da Encarta, reconhecendo que o mercado de enciclopédias havia mudado irreversivelmente. O que antes era uma inovação se tornara ob
