Queda de 31% no número de jornalistas contratados via CLT em redações desde 2014

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Queda significativa no número de jornalistas com registro formal no Brasil desde 2014.

O número de jornalistas com Carteira de Trabalho assinada em redações caiu 31% desde 2014, atingindo o menor patamar desde 2010. Em 2014, havia 42.605 profissionais registrados, enquanto em 2025 esse número caiu para 29.306.

Essa diminuição ocorre em um contexto de crescimento de vínculos formais em outros setores da economia e de uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos. A situação se agrava, considerando que os registros de jornalistas estão em declínio mesmo com a recuperação do mercado de trabalho em geral.

Todos os cargos tradicionais nas redações enfrentaram perdas de profissionais desde 2014, com as maiores quedas observadas nas categorias de críticos, editores de revistas e repórteres fotográficos. A análise dos dados revela que a crise no setor de jornalismo é um fenômeno generalizado, afetando diversas funções.

Embora os dados do Ministério do Trabalho apresentem algumas inconsistências, as tendências gerais são evidentes. Mudanças nas metodologias de coleta de dados ao longo dos anos podem levar a variações, mas a leitura geral sobre a diminuição do número de jornalistas formais se mantém consistente.

Não se sabe se todos os profissionais registrados estão atuando nas funções descritas em suas Carteiras de Trabalho, nem se possuem registro ativo como jornalistas. A análise exclui estagiários, aprendizes e profissionais que atuam em assessorias de imprensa ou consultorias.

Queda em todos os estados

A redução de empregos formais para jornalistas ocorreu em todos os estados, com as maiores perdas registradas no Espírito Santo, Amazonas e Rondônia. Apesar das quedas, São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal continuam sendo as regiões com o maior número de jornalistas formalmente registrados.

A desoneração da folha de pagamento, implementada em 2011, visava estimular o mercado de trabalho, beneficiando vários setores, incluindo o de mídia. Contudo, a redução do número de setores beneficiados em 2018 não trouxe os resultados esperados para o jornalismo, que continua a sofrer com a diminuição de cargos formais.

Divisão por sexo

As mulheres representam 49,9% dos jornalistas contratados via CLT, enquanto os homens correspondem a 50,1%. Apesar da distribuição quase equilibrada, os homens predominam em cargos de liderança, como diretores de redação e editores.

Jornalismo e assessoria

Um gráfico que abrange outras profissões relacionadas ao jornalismo, como assessores de imprensa, mostra uma queda de 30% nas vagas geridas pela CLT desde 2013, refletindo uma tendência semelhante à observada entre jornalistas em redações.

Estudos anteriores já haviam indicado uma queda significativa nos cargos formais de jornalismo, embora a análise mais abrangente tenha mostrado um recuo menor, devido à inclusão de profissionais fora da CLT e em funções diversas.

Debate sobre pejotização

A diminuição dos cargos formais no jornalismo coincide com o aumento da pejotização no Brasil, onde trabalhadores abrem empresas para prestar serviços sem vínculo formal. Essa mudança resulta na perda de garantias trabalhistas e na diminuição das contribuições à Previdência Social.

Com 13,1 milhões de empresas registradas como microempreendedores individuais (MEI) em 2026, a pejotização se torna a forma mais comum de trabalho informal. Estimativas indicam que uma parte significativa dos MEIs atua como trabalhadores, não como empreendedores, revelando a precarização do trabalho.

Drive & Poder360

Os jornalistas que atuam em regime de dedicação exclusiva para o jornal digital são contratados formalmente com registro em Carteira de Trabalho, garantindo direitos trabalhistas.

Metodologia

A análise foi realizada com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2010 a 2024, focando nos vínculos ativos registrados via CLT. Para a projeção de 2025, foram utilizados dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) para 15 cargos específicos.

Os dados apresentados refletem informações detalhadas sobre vínculos empregatícios, embora variações possam ocorrer devido a filtros utilizados na

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