Elos com Vorcaro aumentam pressão sobre Toffoli no STF e revelam suspeitas
Investigações sobre relações entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro avançam na Polícia Federal.
Os questionamentos acerca das ligações do ministro do STF, Dias Toffoli, com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, têm aumentado desde que a primeira conexão entre eles foi revelada. A investigação da Polícia Federal está em curso e pode trazer novos desdobramentos sobre o caso.
Embora Toffoli não esteja sendo investigado diretamente pela PF, as apurações apontam para possíveis crimes financeiros relacionados a fundos associados ao resort Tayayá, do qual a família do ministro foi sócia. A PF elaborou um extenso relatório de 200 páginas sobre as interações entre Toffoli e Vorcaro, que foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin.
Os achados da PF, apesar de não serem suficientes para que Fachin autorizasse uma investigação formal contra Toffoli, resultaram na transferência da relatoria do caso para o ministro André Mendonça. Assim, quaisquer avanços nas investigações dependem agora das decisões de Mendonça.
O relatório da PF incluiu conversas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, nas quais discutem pagamentos a Toffoli, com indícios de que foram realizados repasses que totalizaram R$ 35 milhões ao ministro.
A primeira menção à conexão entre Toffoli e Vorcaro surgiu em uma reportagem que destacou a participação de irmãos do ministro em uma empresa associada ao resort Tayayá, que está ligado a uma rede fraudulenta atribuída ao Banco Master. A atuação de Toffoli em relação ao caso gerou estranhamento entre os órgãos de investigação.
Em dezembro, o ministro convocou uma acareação entre Vorcaro e outros envolvidos, o que levantou suspeitas sobre a imparcialidade do magistrado, levando-o a mudar a solicitação para depoimentos individuais.
A sociedade no resort Tayayá começou em setembro de 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa de Toffoli e seus irmãos, vendeu metade de sua participação ao fundo Arleen por aproximadamente R$ 3 milhões. O fundo Arleen faz parte de uma rede de fundos utilizados pelo Banco Master, e seu controlador é Fabiano Zettel, que também é mencionado nas investigações.
A Maridt se retirou da sociedade do Tayayá em fevereiro do ano passado, quando sua participação foi adquirida por Paulo Humberto Barbosa, um advogado que já atuou em diversos casos para a JBS. A transação ocorreu em um contexto em que o fundo havia mudado de controle.
Após a revelação das ligações, Toffoli admitiu sua participação na Maridt em fevereiro, após a divulgação do relatório da PF. Mensagens entre Vorcaro e Zettel revelam preocupações sobre repasses financeiros ao resort, com valores significativos sendo discutidos.
Em resposta às cobranças, Vorcaro solicitou que Zettel levantasse todos os aportes feitos no Tayayá, evidenciando a complexidade das transações financeiras entre os envolvidos. Toffoli, em nota, negou qualquer relação de amizade ou recebimento de valores de Vorcaro e reafirmou a legalidade de suas atividades empresariais.
A defesa de Daniel Vorcaro optou por não comentar as alegações feitas até o momento.
