Famurs aponta que 142 municípios do RS já limitam serviços devido à escassez de diesel
Falta de diesel compromete serviços essenciais em prefeituras do Rio Grande do Sul.
Ao menos 142 prefeituras do Rio Grande do Sul enfrentam dificuldades no funcionamento de serviços essenciais devido à escassez de diesel. Este número representa cerca de 30% dos 497 municípios do estado.
O levantamento realizado pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul revelou que, até a data da publicação, 315 prefeituras haviam reportado a situação. A falta de combustível tem gerado preocupações sobre a continuidade de serviços fundamentais, como transporte de pacientes e atividades relacionadas à saúde.
De acordo com a federação, os prefeitos estão sendo forçados a priorizar serviços críticos, enquanto obras e outras atividades que dependem de maquinário estão sendo temporariamente suspensas. Essa falta de combustível pode comprometer ainda mais a qualidade dos serviços prestados à população.
A presidente da Federação das Associações de Municípios, que também é prefeita da cidade de Nonoai, expressou sua preocupação com a possibilidade de que a situação se agrave nos próximos dias. Ela enfatizou a necessidade urgente de medidas que assegurem o abastecimento de diesel para que os municípios possam manter suas operações.
Ela ressaltou o risco que essa crise representa para o transporte escolar e o deslocamento de pacientes para tratamento em outras cidades. A prefeita planeja levar essas preocupações ao governador e reforçar a importância de buscar alternativas para garantir a normalidade dos serviços.
Risco de desabastecimento
A escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, tem elevado os custos do diesel e gerado apreensão sobre o desabastecimento em todo o Brasil.
Embora o governo federal tenha anunciado algumas iniciativas para mitigar os impactos, especialistas do mercado avaliam que essas ações devem ser implementadas de maneira urgente e podem não ser suficientes para enfrentar a gravidade da crise no setor.
Uma das principais medidas anunciadas foi a Medida Provisória nº 1.344/2026, que destina um crédito extraordinário de R$ 10 bilhões para o Ministério de Minas e Energia. Essa medida visa oferecer subvenção econômica à comercialização de óleo diesel por produtores e importadores.
Outra ação relevante foi a isenção dos dois impostos federais que incidem sobre o diesel: o PIS e a Cofins. Essa decisão foi tomada para tentar estabilizar os preços e evitar desabastecimento.
Além disso, o Ministério da Fazenda sugeriu que os estados zerem o ICMS sobre a importação do diesel, com a União compensando a perda de arrecadação. Tal medida tem a intenção de alinhar os preços do combustível no mercado interno com os internacionais e assegurar o abastecimento.
Ainda assim, até a última sexta-feira, apenas o governador do Piauí sinalizou favoravelmente para a eliminação do ICMS sobre o combustível, indicando a necessidade de uma resposta mais ampla e coordenada entre os estados.
