Lula critica ONU e afirma que Conselho de Segurança promove guerras em vez de preveni-las

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Lula critica a ONU por inação em conflitos globais durante discurso na Colômbia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua insatisfação com a atuação da ONU em relação ao aumento de conflitos, especialmente no Oriente Médio, durante sua participação no 1º Fórum de Alto Nível Celac-África, realizado em Bogotá, Colômbia.

Em seu discurso, Lula apontou que o Conselho de Segurança da ONU, que deveria ser um órgão de manutenção da paz, tem contribuído para a promoção de guerras, citando os conflitos na Faixa de Gaza, na Ucrânia e no Irã como exemplos de sua falha.

“O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, e são eles que estão fazendo as guerras”, destacou o presidente, demonstrando sua indignação com a passividade da organização diante de crises internacionais.

O presidente brasileiro criticou a incapacidade do conselho em resolver disputas em várias regiões, incluindo Gaza, Líbia, Iraque e Irã, afirmando que a dominância militar e financeira de alguns países tem distorcido a ordem mundial. “Quem tem mais canhão, mais navio, mais avião e mais dinheiro se acha dono do mundo”, afirmou.

Lula também solicitou uma reforma urgente no Conselho de Segurança, defendendo uma maior representação da América Latina e da África. Ele questionou a falta de renovação no órgão e a necessidade de convocar uma reunião extraordinária para discutir o papel dos membros do conselho.

O presidente caracterizou o momento atual como um dos períodos mais críticos de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial, ressaltando a discrepância entre os gastos militares e a persistência da fome global. “Enquanto se gastou no ano passado US$ 2,7 trilhões em armas e guerras, ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome”, lamentou.

Recentemente, dados mostraram que os gastos militares globais atingiram o maior nível desde a Segunda Guerra, com um aumento significativo em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura indicou que entre 638 milhões e 720 milhões de pessoas enfrentaram a fome em 2024.

Lula também trouxe à tona o caso do Irã, recordando sua visita a Teerã em 2010, quando buscou negociar um acordo sobre o enriquecimento de urânio. Ele afirmou que, apesar do acordo ter sido firmado, as potências ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, ampliaram o bloqueio ao país, resultando em um acordo subsequente menos favorável.

O presidente criticou a construção de uma imagem de inimigo pelas potências para justificar ações militares, referindo-se ao discurso de Donald Trump sobre o Irã e o temor em torno do desenvolvimento de armas nucleares.

Outro ponto abordado por Lula foi a exploração de minerais críticos e terras raras. Ele alertou que países da América Latina e da África ainda sofrem as consequências da colonização e advertiu sobre o risco de uma nova forma de dominação baseada na exploração de recursos estratégicos.

“[Com os minerais críticos] é a chance de Bolívia, África e América Latina não aceitar ser apenas exportadora”, defendeu, enfatizando a necessidade de que investidores estrangeiros se estabeleçam e produzam localmente.

Por fim, Lula reiterou a importância de manter o Atlântico Sul livre de disputas geopolíticas e anunciou que o Brasil irá organizar uma reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul em 9 de abril.

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