Falta de diesel compromete serviços públicos no Rio Grande do Sul, segundo associação de municípios
Escassez de óleo diesel afeta prefeituras no Rio Grande do Sul.
Prefeituras de 142 cidades do Rio Grande do Sul estão enfrentando a falta de óleo diesel, representando 29% dos 497 municípios do Estado. Essa situação é resultado de uma pesquisa realizada pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), que aponta uma crescente restrição na oferta do combustível no País.
Com a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, que já dura quase quatro semanas, os preços globais do petróleo têm se elevado, impactando diretamente o mercado nacional. A Famurs destacou que, em um questionário respondido por 315 prefeituras, 45% relataram falta de diesel, indicando que a situação pode ser ainda mais grave do que se imaginava.
Os prefeitos estão sendo forçados a priorizar serviços essenciais, como o transporte de pacientes na área da saúde. Ao mesmo tempo, obras e outras atividades que dependem de maquinário estão sendo suspensas devido à falta do combustível. A nota da Famurs expressa preocupação com os possíveis impactos em áreas sensíveis caso a situação continue.
Eduardo Melo, sócio-diretor da consultoria Raion, que é especializada no mercado de combustíveis, afirma que a escassez de diesel no interior do Rio Grande do Sul é notável, principalmente por conta da demanda do agronegócio. A região é conhecida por sua alta produção agrícola, o que intensifica a necessidade do combustível.
Com o aumento das cotações do petróleo e, consequentemente, do diesel importado, pequenos e médios produtores rurais, que frequentemente não possuem contratos de fornecimento de longo prazo, têm enfrentado sérias dificuldades. Eles recorrem ao mercado à vista, onde o diesel é adquirido de postos de combustíveis independentes e transportadoras que compram o combustível no atacado.
A Região Sul, com sua estrutura de mercado variada, é atendida tanto por grandes distribuidoras quanto por empresas regionais e varejistas, que são essenciais para atender as necessidades dos pequenos produtores. Essa capilaridade no mercado é crucial, mas a atual crise de abastecimento pode comprometer essa dinâmica.
