Manas em Combate lança rede de apoio para vítimas de violência
Movimento “Manas em Combate” busca apoiar e empoderar mulheres vítimas de violência.
Doutora em Direito Internacional Privado pela USP e titular do Cartório do 3º Registro de Imóveis de Belém (PA) desde 2019, a paraense Jannice Amoras lançou uma nova rede de apoio chamada “Manas em Combate”. Este movimento visa acolher e proteger meninas e mulheres que enfrentam situações de violência.
A Dra. Jannice tem como objetivo não apenas acolher, mas também oferecer atendimento médico e psicológico, segurança e capacitação. Ela deseja que essas mulheres não sejam mais definidas por suas experiências traumáticas, mas que possam retomar suas vidas com autonomia e autoestima.
Compreendendo profundamente o processo de reconstrução, Jannice superou um relacionamento tóxico que a deixou com cicatrizes emocionais e físicas. Após emagrecer 42 quilos e recuperar sua autoestima, ainda vive sob medidas protetivas, utilizando um carro blindado e enfrentando o medo constante do descumprimento dessas medidas por parte do ex-marido. Recentemente, ela transformou sua experiência pessoal em uma ação pública ao lançar o movimento em Belém.
O evento contou com a participação de profissionais de diversas áreas, onde Jannice apresentou os principais objetivos da rede: proporcionar caminhos de proteção, oferecer orientações práticas e ajudar outras mulheres a romperem o silêncio e a impotência que a violência impõe.
Durante o lançamento, uma dinâmica sensível foi conduzida pela psicóloga Shirlane Almeida, que convidou as participantes a se reconectarem com suas versões mais jovens. Essa atividade buscou reforçar a importância do acolhimento e a certeza de que ninguém está sozinho nessa luta.
A médica pediatra Eliana Peixoto também participou do evento, compartilhando a relevância da medicina no acolhimento e na identificação de mulheres vítimas de violência. Ela relatou sua própria história de superação, evidenciando que, embora a dor possa persistir, é possível encontrar um novo significado para essas experiências.
A delegada da Polícia Civil de Belém, Amanda Souza, detalhou as medidas legais disponíveis para mulheres ameaçadas, enfatizando a importância de não abrir mão das medidas protetivas e de evitar “acordos” que podem se tornar perigosos. Ela compartilhou uma tragédia pessoal que ilustra o risco envolvido, lembrando o assassinato de seus filhos e ex-marido, um caso que ressoa com outras tragédias recentes relacionadas à violência doméstica.
Como jornalista, testemunhando as mudanças legislativas ao longo de quase 40 anos, foi destacado o impacto positivo da presença feminina em cargos de poder. Essa presença é fundamental para combater a violência contra mulheres e transformar experiências de dor em políticas públicas eficazes.
Essas conquistas incluem a inclusão da violência vicária na Lei Maria da Penha, que estabelece penas severas para tais crimes. Em um futuro próximo, espera-se que a misoginia e a cultura de ódio contra mulheres sejam tratadas com a seriedade que merecem, sendo reconhecidas como crimes e não como meras opiniões.
