Confiança da indústria no Rio Grande do Sul apresenta queda em março
Índice de Confiança do Empresário Industrial no Rio Grande do Sul sofre maior queda desde agosto de 2025
O Icei-RS (Índice de Confiança do Empresário Industrial do Rio Grande do Sul) apresentou uma queda de 2,1 pontos entre fevereiro e março, passando de 46 para 43,9 pontos. Esta é a maior retração desde agosto do ano anterior.
Com este resultado, o índice permanece abaixo da linha de 50 pontos desde dezembro de 2024, refletindo um aumento nas avaliações negativas entre as empresas. Esses dados foram divulgados pelo Sistema FIERGS.
Claudio Bier, presidente do Sistema FIERGS, atribui essa queda ao crescimento da incerteza no ambiente econômico, tanto no cenário internacional quanto no nacional. A intensificação de conflitos no Oriente Médio, que começou recentemente, eleva as incertezas e já está impactando o comércio internacional, especialmente no que se refere ao fornecimento de petróleo e à cadeia de combustíveis.
Essas tensões internacionais têm gerado preocupações com a inflação, contribuindo para a redução menos significativa das taxas de juros no Brasil. Além disso, a discussão sobre a possível alteração na escala de trabalho 6×1 também gera apreensão entre os empresários, pois uma mudança na organização do trabalho pode afetar a capacidade produtiva em um ambiente já desafiador em termos de produtividade.
O Índice de Condições Atuais, que avalia a percepção sobre a economia brasileira e suas próprias empresas nos últimos seis meses, caiu 1,1 ponto, alcançando 40,5 pontos em março. Um resultado abaixo de 50 indica uma avaliação negativa do cenário atual em comparação ao semestre anterior.
A deterioração das condições foi impulsionada pela percepção negativa sobre a economia brasileira, que recuou 2,3 pontos, registrando 34,4 pontos, o quinto pior resultado dos últimos dois anos. No contexto atual, 55,7% dos empresários consideram que as condições pioraram ou pioraram muito, enquanto 41,6% não percebem mudanças e apenas 2,7% relatam melhora.
O Índice de Condições da Empresa também registrou uma leve queda de 0,6 ponto, ficando em 43,5 pontos. Entre os industriais, 26,8% relatam piora, enquanto 66,4% indicam estabilidade, o que evidencia a continuidade de um cenário considerado desfavorável.
Expectativas
O Índice de Expectativas manteve-se pessimista desde julho de 2025 e voltou a recuar em março, com uma queda de 2,6 pontos, atingindo 45,6 pontos. Assim, o índice permanece abaixo da linha de 50 pontos por nove meses consecutivos.
O Índice de Expectativas da Própria Empresa também caiu 2,4 pontos, retornando ao campo pessimista com 49,8 pontos, após quatro meses em níveis mais otimistas. A maioria dos industriais (59,1%) espera a manutenção do cenário atual.
Por fim, o Índice de Expectativas da Economia Brasileira recuou 3,1 pontos, chegando a 37,2 pontos, mantendo-se há mais de três anos abaixo de 50 pontos. Nesse ambiente, 47% dos empresários projetam uma deterioração das condições nos próximos seis meses.
