Furacão histórico no Brasil deixou vítimas fatais e 26 mil desabrigados; recorde o ocorrido
Furacão Catarina: 22 anos do único furacão registrado no Brasil
Há 22 anos, em 27 de março de 2004, o furacão Catarina impactou o litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, tornando-se um marco na meteorologia brasileira por ser o único furacão oficialmente reconhecido no país e no Atlântico Sul.
Classificado como categoria 2 na escala Saffir-Simpson, o Catarina trouxe ventos de até 155 km/h. As consequências foram devastadoras: 11 vidas foram perdidas e mais de 26 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas.
Embora o furacão Catarina tenha sido um fenômeno sem precedentes, é importante lembrar que o furacão mais poderoso já registrado foi o Allen, que atingiu velocidades de 305 km/h em 31 de julho de 1980.
Fenômeno raro e atípico
Furacões são tempestades tropicais que geralmente se formam sobre águas quentes, sendo mais frequentes no Atlântico Norte e no Pacífico. O Catarina, entretanto, surgiu de maneira atípica e continua a ser objeto de investigação na comunidade científica.
O sistema começou como um ciclone extratropical, comum na região sul do Brasil, mas ao avançar sobre o oceano, encontrou condições específicas que permitiram sua intensificação e transformação em um furacão.
Os ventos do Catarina, superando 154 km/h, são medidos pela escala Saffir-Simpson, que avalia a intensidade e a consistência do vento em fenômenos desse tipo.
Diferença entre furacões, ciclones e tufões
Tempestades tropicais como furacões, tufões e ciclones são essencialmente o mesmo tipo de sistema, diferenciados apenas pelo oceano onde se formam. No Oceano Índico, são chamados de ciclones; no Pacífico Oeste, tufões; enquanto no Atlântico Norte e Pacífico Leste, recebem o nome de furacões.
Esses fenômenos tropicais se desenvolvem, em geral, em áreas próximas à linha do Equador, onde as águas mais quentes atuam como combustível para sua formação e intensificação.
Os ciclones extratropicais, por outro lado, têm uma origem distinta. Eles surgem do encontro de massas de ar quente e frio, resultando em instabilidade, ventos intensos e grandes volumes de chuva.
Condições que favoreceram a formação
Fatores que contribuíram para o surgimento do Catarina incluíram águas oceânicas mais aquecidas do que o normal e condições atmosféricas específicas.
Diferentemente dos ciclones extratropicais, que se formam pela colisão de massas de ar, os furacões dependem essencialmente do calor do oceano para sua intensificação.
Imagens de satélite mostraram que o Catarina possuía características típicas de um furacão, como um “olho” bem definido e a organização circular da tempestade. No entanto, ao contrário dos furacões tradicionais, que têm um núcleo quente, o Catarina apresentava um núcleo frio, o que o tornava um fenômeno atípico.
Especialistas sugerem que tais eventos podem estar relacionados a mudanças climáticas. Até hoje, o episódio permanece em debate, dado que é um fenômeno raro e incomum na região do Atlântico Sul.
