TRE-RJ agenda recontagem de votos para terça após cassação de Bacellar
Recontagem de votos para deputado estadual no Rio de Janeiro será realizada na próxima terça-feira.
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), Claudio de Mello Tavares, agendou para a próxima terça-feira (31), às 15h, uma sessão para recontar os votos referentes ao cargo de deputado estadual nas eleições de 2022.
A iniciativa é uma resposta à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que cassou o mandato do deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
Com a cassação, os 97.822 votos que Bacellar recebeu serão anulados, o que terá um impacto significativo na composição da Alerj. A redistribuição das vagas entre partidos e federações precisará ser revista.
Rodrigo Bacellar foi cassado devido à utilização de recursos da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do RJ (Ceperj) para fins eleitorais. No mesmo dia, o TSE também declarou inelegíveis o ex-governador Cláudio Castro e o ex-presidente da Ceperj, Gabriel Rodrigues Lopes.
Recentemente, a presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargadora Suely Lopes Magalhães, anulou a votação que elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como presidente da Alerj. Essa decisão foi tomada em razão da necessidade de retotalização dos votos pelo TRE antes que o processo eleitoral na Alerj fosse oficialmente iniciado.
A desembargadora enfatizou que a retotalização é essencial para definir a composição oficial do colégio eleitoral da Alerj, que será responsável pela escolha do novo presidente da Casa. A avaliação da presidente em exercício foi de que a Mesa Diretora da Alerj não seguiu a decisão do TSE de forma integral, o que pode interferir na escolha do novo presidente e na definição de quem assumirá interinamente o governo do estado após a renúncia de Claudio Castro.
Entenda
Desde maio de 2025, o estado do Rio de Janeiro não contava com um vice-governador, pois Thiago Pampolha renunciou para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Com isso, Rodrigo Bacellar se tornou o primeiro na linha sucessória.
No entanto, em 3 de dezembro de 2025, Bacellar foi preso durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investigava conexões entre políticos e o Comando Vermelho, uma das principais organizações criminosas do estado.
Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), Bacellar foi afastado da presidência da Alerj, mesmo após ser liberado da prisão. A Alerj passou a ser presidida interinamente pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), que, devido à interinidade, não ocupa a linha sucessória.
Na segunda-feira (23), Cláudio Castro renunciou ao cargo, manifestando interesse em se candidatar ao Senado nas eleições de outubro. Essa manobra foi vista como uma tentativa de evitar uma possível inelegibilidade, uma vez que ele enfrentava um julgamento no TSE por abuso de poder político e econômico na campanha de reeleição em 2022.
O julgamento resultou em uma decisão desfavorável para Castro, que foi considerado governador cassado e inelegível até 2030. A decisão também afetou Rodrigo Bacellar, tornando-o inelegível.
Na mesma deliberação, a Justiça Eleitoral determinou que a Alerj realizasse eleições indiretas para o governo do estado. Desde a renúncia de Castro, o comando do Executivo do Rio de Janeiro está sob a responsabilidade interina do presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro.