Brasil estabelece nova rota para contornar Estreito de Ormuz e assegurar exportações

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Brasil estabelece nova rota para exportações agropecuárias, evitando o Estreito de Ormuz.

O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil firmou um acordo com a Turquia para assegurar o envio das exportações agropecuárias por uma nova rota, em resposta a instabilidades no Estreito de Ormuz. A nova estratégia visa garantir um transporte mais seguro, especialmente para produtos de origem animal, permitindo também o armazenamento temporário das cargas em solo turco antes do envio ao destino final.

Com a interrupção das rotas tradicionais, o novo modelo logístico integra transporte marítimo e terrestre. As mercadorias são enviadas por navio até a Turquia e, a partir daí, são distribuídas por rodovias ou ferrovias. Durante esse processo, as cargas permanecem em áreas específicas dentro da Turquia, onde recebem a certificação sanitária necessária para atender às exigências dos mercados compradores.

De acordo com especialistas, essa alternativa, apesar de viável, não é financeira e economicamente mais barata. A demanda por alimentos nos países árabes, que dependem de cerca de 90% do que consomem, pressiona os custos, especialmente em relação à carne bovina e de frango, que são produtos com regras rigorosas desde o processamento até o transporte.

A escolha da Turquia como parceira comercial também se relaciona com o perfil religioso do país, já que a maioria da população é muçulmana, satisfazendo assim os requisitos dos mercados importadores que buscam produtos halal. Entretanto, essa mudança acarreta um aumento significativo nos custos operacionais. O seguro para a região aumentou drasticamente, chegando a ser dez vezes mais caro, e há relatos de seguradoras que deixaram de operar na rota tradicional devido a riscos elevados.

Além do seguro, os custos de frete também estão sendo impactados pelo aumento do preço do combustível e pela complexidade logística adicional. As estimativas apontam que o custo total das operações pode subir em até 300%. Apesar disso, a necessidade de alimentos nos países árabes continua a impulsionar a demanda, e tanto exportadores quanto importadores devem compartilhar esses custos adicionais.

A nova rota marítima começa na costa brasileira, segue pelo Atlântico Norte, passa pelo Estreito de Gibraltar, cruza o Mar Mediterrâneo e chega à Turquia. A partir daí, a distribuição é realizada por via terrestre, com remessas para países do Oriente Médio, incluindo a possibilidade de armazenamento em contêineres refrigerados no território turco antes da redistribuição.

Na etapa terrestre, a Turquia assume o papel de ponto crucial na logística, garantindo que os produtos sejam enviados por trem ou caminhão para diversos destinos, incluindo o Irã. Essa estrutura é fundamental para assegurar a continuidade do fluxo de proteínas como carne bovina e de frango.

A certificação sanitária concedida pela Turquia garante que as mercadorias brasileiras atendam aos padrões exigidos desde a saída dos portos até a entrega final, incluindo requisitos específicos para abate halal. A operação, que combina transporte marítimo e terrestre com suporte logístico na Turquia, é a única alternativa viável. Embora encareça o comércio, mantém a possibilidade de atender a uma demanda significativa por alimentos na região.

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