Preço do feijão carioca registra alta de quase 20% devido à redução da safra e estoques limitados; previsão de queda no valor
Preço do feijão carioca atinge recorde devido à baixa safra e estoques reduzidos.
O preço do feijão carioca tem apresentado uma alta significativa, resultado de uma safra menor e estoques em níveis críticos. Em fevereiro, o aumento foi de aproximadamente 11%, tanto em relação ao mês anterior quanto ao acumulado em 12 meses.
Os valores pagos aos produtores também refletem essa tendência, com um acréscimo de 29,3% entre janeiro e fevereiro. Este é o maior índice registrado na série histórica do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, que começou a ser monitorado em setembro de 2024.
- 🫘 A alta ocorre porque tem pouco feijão carioca no mercado, enquanto a demanda segue alta, principalmente por produtos de melhor qualidade.
Falta feijão
A safra atual de feijão é considerada a menor em quatro anos, totalizando 2,92 milhões de toneladas, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento. A oferta do produto, incluindo estoques iniciais e importações, está em seu nível mais baixo em uma década, com cerca de 3,07 milhões de toneladas disponíveis.
O consumo interno está estimado em 2,7 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem atingir 214,3 mil toneladas no ano. Se essas previsões se confirmarem, o estoque final representará apenas cerca de 6% do consumo total.
“Isso significa que os estoques seriam suficientes para pouco mais de três semanas de consumo interno”, afirma um especialista na área de grãos.
A escassez no fornecimento é atribuída a condições climáticas adversas, como chuvas durante a colheita em Minas Gerais e Goiás, que comprometeram a qualidade e a disponibilidade de lotes de maior padrão. No Sul do país, a produção também foi afetada por fatores climáticos que restringiram a colheita.
Adicionalmente, os produtores têm reduzido a área plantada de feijão. No ano anterior, os preços baixos da leguminosa não garantiram uma remuneração adequada, levando os agricultores a desestimularem o cultivo, conforme explicado por líderes do setor.
“Alguns produtores que não colheram uma quantidade ideal por hectare tiveram prejuízo e reduziram a área plantada”, destaca um representante do setor.
Quando o preço vai abaixar?
O consumidor pode esperar um alívio nos preços já no segundo semestre, com a colheita do feijão carioca irrigado entre julho e setembro, que deve aumentar a oferta. Até lá, é possível que os consumidores considerem outras variedades de feijão, que ainda apresentam preços mais acessíveis.
