El Salvador: 500 presos mortos em batalha contra gangues em apenas quatro anos, revela ONG

Compartilhe essa Informação

Relatório revela mortes de detentos em El Salvador durante regime de exceção

Um total de 500 presos perderam a vida nos últimos quatro anos em El Salvador, conforme apontado por um relatório da ONG Socorro Jurídico Humanitário (SJH). Este dado coincide com o período em que o governo implementou medidas rigorosas contra gangues no país.

Desde 27 de março de 2022, o presidente Nayib Bukele tem mantido um estado de exceção, resultando na detenção de aproximadamente 91 mil pessoas sem mandado judicial. Organizações de direitos humanos criticam essas ações, alegando que elas geraram sérias violações dos direitos fundamentais.

“Desde o início das prisões em massa”, houve um “aumento no número de mortes” nas penitenciárias, e “foram compiladas informações sobre 500 mortes”, das quais 94% “não eram membros de gangues”, afirma o relatório.

A SJH, que fundamenta suas conclusões em relatos de familiares e fontes não oficiais, expressa preocupações sobre a falta de transparência nas informações fornecidas pelo governo. A organização argumenta que a opacidade nas operações contribui para uma percepção negativa sobre a gestão das prisões.

Mortes e condições nas prisões

O relatório indica que quase um terço das mortes dos detentos ocorreu devido à falta de atendimento médico, enquanto cerca de 30% foram classificadas como “mortes violentas”. Em muitos casos, a causa específica das mortes não pôde ser determinada.

A SJH também destaca que, em raras ocasiões, houve inspeções policiais adequadas, mesmo diante da presença de corpos com “sinais de violência”. Além disso, a ONG denuncia a negação de medicamentos e assistência médica a detentos que sofrem de doenças como diabetes, considerando essa prática como “tortura e tratamento desumano”.

“Esses atos constituem práticas generalizadas e sistemáticas contra a população civil sob custódia do Estado, que se enquadram na definição de crimes contra a humanidade”, declarou a ONG.

Apesar das críticas, Bukele permanece popular entre a população, principalmente por ter conseguido reduzir os homicídios a níveis historicamente baixos e por desarticular as gangues Mara Salvatrucha e Barrio 18, que foram classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos e por El Salvador.

Veja mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *