Francesa é processada após matar lince para proteger sua galinha

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Mulher é julgada por matar lince em defesa de galinha em Estrasburgo

O tribunal criminal de Estrasburgo, na França, analisou a morte de um filhote de lince, espécie ameaçada, que foi espancado por uma mulher após atacar uma galinha em sua propriedade.

O incidente ocorreu em 18 de outubro de 2024, quando o lince, uma fêmea de 4,2 kg, invadiu um cercado onde estavam cinco galinhas em Niederbronn-les-Bains, uma cidade de aproximadamente 4.000 habitantes. A dona do local ficou em estado de pânico ao ver uma de suas aves, chamada Marie-Thérèse, sendo atacada pelo felino.

Em seu relato ao tribunal, a mulher expressou seu desespero, afirmando ter gritado e tentado fazer o lince soltar a galinha. Ela alegou ter confundido o lince com um gato, o que levanta questões sobre a percepção e a reação em situações de emergência.

Após a tentativa de afugentar o animal, a mulher pegou um pedaço de madeira e golpeou o lince na cabeça. Em seguida, ela chamou a polícia municipal, que acionou o Escritório Francês de Biodiversidade (OFB).

“Eu estava a dez minutos dali. Vim ver o que podia ser feito para salvar o filhote que agonizava”, contou um especialista em linces do OFB.

O lince, debilitado e faminto, recebeu os primeiros socorros, mas não sobreviveu. O defensor dos animais que acompanhou o caso relatou que, apesar dos esforços, o felino faleceu duas horas depois de ser levado à clínica veterinária.

Espécie em extinção

De acordo com o relatório de autópsia, o lince sofreu múltiplos golpes, fraturas no crânio e um hematoma. Os defensores do lince estavam cientes de sua linhagem, sendo parte de um programa de reintrodução da espécie na região, que enfrenta uma grave ameaça de extinção.

Atualmente, existem apenas cerca de 150 linces na França, com apenas dez vivendo nas montanhas da região de Vosges, próxima à fronteira com a Alemanha. A preservação da espécie é crucial, pois cada indivíduo conta para a sobrevivência do lince.

“Cada indivíduo conta para a sobrevivência da espécie”, destacou uma responsável pelo Parque Natural Regional dos Vosges do Norte.

‘Eu gostava da minha galinha’

Durante o julgamento, a juíza questionou a mulher sobre a contradição de tentar salvar um animal e acabar matando outro. A mulher defendeu seu ato dizendo que Marie-Thérèse era um animal de estimação, assim como a juíza poderia ter um gato ou um cachorro.

A promotora do caso argumentou que a alegação de legítima defesa não se aplica e pediu uma pena de quatro meses de prisão com suspensão condicional, considerando a mulher sinceramente abalada pelos fatos.

A defesa argumentou que a mulher não é uma caçadora experiente e que sua reação foi fruto de uma situação estressante. Desde o incidente, ela tem enfrentado dificuldades emocionais e não conseguiu substituir sua galinha, que era parte de sua vida.

O caso levanta questões sobre a interação entre humanos e vida selvagem, especialmente em áreas onde habitats naturais se sobrepõem a áreas residenciais. A proteção de espécies ameaçadas é um desafio crescente, e a conscientização sobre a importância da biodiversidade é fundamental para evitar tragédias como esta.

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