Produtores de leite em SP enfrentam queda nos preços e aumento de custos

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Produtores de leite enfrentam desafios com queda de preços e aumento de custos em SP.

Produtores de leite no interior de São Paulo estão lidando com um aumento significativo nos custos de produção, enquanto o preço pago pelo litro de leite caiu mais de R$ 0,90 em relação ao ano anterior. Essa situação tem gerado pressão sobre a renda das famílias que dependem dessa atividade.

Na localidade de Sandovalina, situada no Pontal do Paranapanema, a produção de leite é crucial para a sobrevivência do produtor Alex Menezes. Ele possui 27 vacas da raça Girolândia, das quais 17 estão em lactação, resultando em uma produção diária de 170 litros de leite.

O sucesso dessa produção é atribuído ao investimento em um sistema de piquetes irrigados, que assegura a qualidade do pasto e, consequentemente, a alimentação do gado. Esse sistema é vital para manter a produtividade em tempos de adversidade econômica.

No entanto, a continuidade desse modelo de produção requer investimentos constantes, o que tem se tornado um desafio. Para manter os investimentos, Alex teve que optar pela venda de alguns animais, uma estratégia para evitar a interrupção das melhorias na propriedade.

Atualmente, o custo de produção gira em torno de R$ 1,63 por litro, enquanto o preço de venda é de R$ 1,80, uma margem considerada insuficiente para garantir a implementação de novas melhorias.

Apesar das dificuldades, a produção de leite não estagnou. Em 2025, o estado produziu quase 82 mil litros, um aumento de 32 mil litros em relação aos 50 mil litros de 2024, conforme dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA).

O engenheiro agrônomo José Wanderley Quintero, que oferece assistência técnica por meio do Senar, destaca que os produtores vêm enfrentando dificuldades para equilibrar custos e receitas nos últimos três anos. Em 2026, a situação se agravou ainda mais, em parte devido ao aumento das importações de leite em pó.

A produtora Cristina Hattori, de Ameliópolis, relata que, em seus 16 anos de trabalho, nunca presenciou preços tão baixos. Para manter os piquetes irrigados, ela também precisou vender três animais no ano passado para adquirir insumos.

Especialistas alertam que a venda de animais, como a adotada por Cristina e Alex, pode ser uma solução viável, mas é fundamental ter cautela para não comprometer a produção futura.

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