Após burnout, profissional de TI abandona carreira de 20 anos para viajar pelo Brasil e dançar forró

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Priscila Albuquerque transforma burnout em liberdade e autodescoberta através de viagens e dança.

A paulistana Priscila Albuquerque, de 42 anos, decidiu mudar radicalmente sua vida após enfrentar uma crise de burnout. A experiência a levou a deixar um emprego estável na área de tecnologia da informação (TI) e dedicar dois anos a realizar seus sonhos, como viajar e dançar forró.

Após 20 anos de trabalho em tecnologia bancária, Priscila percebeu que o estresse acumulado no ambiente corporativo estava afetando sua saúde mental. Em busca de um novo propósito, ela vendeu seu apartamento e começou a explorar o Brasil, focando em atividades que realmente a faziam feliz.

O burnout, uma condição de esgotamento emocional e físico, tem se tornado um problema crescente entre os trabalhadores brasileiros. Em 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou um aumento significativo no número de benefícios concedidos a trabalhadores diagnosticados com a síndrome, refletindo a necessidade de atenção à saúde mental no país.

Durante sua recuperação, Priscila buscou ajuda de profissionais da saúde mental e optou por um afastamento de dois anos sem remuneração. Essa decisão foi cuidadosamente planejada, permitindo que ela se organizasse financeiramente antes de embarcar em sua nova jornada.

‘Vendi apartamento e todos os meus móveis’

Priscila relata que a transição para uma vida de viagens não foi impulsiva. “Tive que me organizar: vendi o apartamento, vendi todos os meus móveis”, explica. Essa preparação foi fundamental para que ela pudesse se dedicar às suas paixões, como dançar forró e explorar trilhas na natureza.

Com raízes nordestinas, Priscila sempre teve uma conexão especial com o forró, um ritmo que trouxe conforto em momentos difíceis. “Minha mãe é pernambucana e sempre foi apaixonada por forró, então, desde pequenininha, eu danço”, conta. Essa dança se tornou um refúgio e um meio de socialização, permitindo que ela fizesse novas amizades durante suas viagens.

Após algumas experiências iniciais de viajar de carro alugado, Priscila ajustou seus planos para utilizar ônibus, tornando suas viagens mais acessíveis. Ela aprendeu a desenvolver estratégias para viajar sozinha, sempre se precavendo em relação à segurança e ao planejamento das rotas.

Um antídoto para a vida corrida

Desde que iniciou sua jornada em junho do ano passado, Priscila já visitou diversos estados, participando de festivais de forró ao longo do caminho. “O forró no Brasil tem um calendário de festivais muito extenso”, afirma, mencionando eventos em locais icônicos para os amantes do gênero.

Para ela, a viagem representa uma pausa necessária na correria do dia a dia. “É um momento de retorno a si mesmo para poder continuar dando conta”, reflete. Essa jornada não apenas a ajudou a se reconectar com suas paixões, mas também a proporcionou uma nova perspectiva sobre a vida.

Quanto ao futuro, Priscila pondera sobre seu retorno ao mercado de trabalho, considerando se voltará para a área de TI ou buscará algo que esteja mais alinhado com seu novo estilo de vida. Ela enfatiza a importância do planejamento para quem deseja se aventurar em novos caminhos.

“Se planeje, mas viva o agora”, aconselha, ressaltando que a coragem de mudar vem da preparação e da capacidade de viver o presente, sem se prender ao passado ou às ansiedades sobre o futuro.

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