Governo planeja produção de 400 mil toneladas de tilápia no reservatório de Itaipu
Paraguai aprova lei que permite cultivo de tilápias na Usina Hidrelétrica de Itaipu.
O Paraguai sancionou uma nova legislação que possibilita o cultivo de tilápias no reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu, abrindo caminho para a tilapicultura em corpos d’água do país.
A medida permite a criação de espécies exóticas em ambientes aquáticos fechados e semiabertos, facilitando a produção de tilápias, que anteriormente era restringida por normas legais. Agora, o avanço deste projeto depende da autorização das autoridades brasileiras, que contam com o apoio da direção da Itaipu e do governo federal.
Estudos indicam que o reservatório possui a capacidade de suportar a produção de até 400 mil toneladas de peixe anualmente, conforme projeções de agências de águas e saneamento. Contudo, a implementação da atividade está condicionada à revisão do Acordo Bilateral Brasil-Paraguai, que atualmente proíbe o uso de espécies exóticas no reservatório, necessitando de aprovação do Congresso para qualquer alteração.
A análise legislativa sobre a revisão do acordo pode levar tempo. A Frente Parlamentar da Agropecuária informou que, no momento, não há movimentação concreta ou articulação para discutir a revisão do acordo. A expectativa é que o governo coordene os próximos passos técnicos, incluindo estudos sobre a capacidade do reservatório e a elaboração de protocolos para a concessão de áreas para a aquicultura.
Os parlamentares ressaltam que qualquer autorização deve ser baseada em critérios rigorosos, incluindo licenciamento ambiental e monitoramento contínuo, além de uma governança binacional eficiente. A FPA enfatiza a necessidade de um cronograma claro de ações por parte do Ministério da Pesca, para que o setor produtivo possa planejar seus investimentos de forma adequada.
RISKS AMBIENTAIS
Especialistas alertam sobre os riscos ambientais associados à introdução de tilápias no reservatório. A introdução dessa espécie pode impactar negativamente outras espécies nativas e os ecossistemas locais. O biólogo Jean Vitule destaca que a tilápia é um poluente biológico que pode se espalhar rapidamente em ambientes aquáticos.
Vitule também menciona que condições climáticas adversas e falhas na infraestrutura de cultivo podem levar a escapamentos de tilápias, o que representaria um risco significativo para a fauna local. Além disso, a tilápia pode facilitar a proliferação de outras espécies invasoras, como o mexilhão dourado, já problemático na região.
A bióloga Gilmara Junqueira adverte que as tilápias têm uma alta capacidade de adaptação e resistência a diferentes condições ambientais, o que pode resultar em competição com espécies nativas e desequilíbrios ecológicos. Os riscos se agravam, pois tilápias que escapam podem levar parasitas que afetam peixes nativos, exacerbando o impacto ambiental.
Estudos apontam que a tilápia, devido à sua alta taxa de reprodução e comportamento territorial, pode dominar ecossistemas, tornando-se uma ameaça significativa para a biodiversidade local. A tilápia é uma das espécies com mais registros de impactos ambientais no Brasil, conforme relatórios de biodiversidade.
O QUE DIZ ITAIPU
A Usina Hidrelétrica de Itaipu afirmou que a introdução de tilápias não afetará sua operação de geração de energia e que não haverá conflitos entre os diferentes usuários da água. O reservatório, que abrange 1.350 quilômetros quadrados, já serve a múltiplos propósitos, incluindo armazenamento de água e produção comercial.
Em resposta a preocupações ambientais, a usina destacou que a manutenção da qualidade da água será uma prioridade, influenciada por atividades ao redor do reservatório. Além disso, foram listadas uma série de medidas de segurança que serão implementadas, como monitoramento ambiental, uso de rações adequadas, controle sanitário e estruturas de cultivo robustas.
Essas iniciativas visam garantir que a produção de tilápias ocorra de forma sustentável, minimizando os impactos negativos ao meio ambiente e assegurando a resiliência do ecossistema local.
