Mary Silva promove reinvenção e representatividade

Compartilhe essa Informação

A trajetória de Mary Silva: representatividade e desafios no jornalismo

A presença de mulheres negras em posições de destaque ainda provoca reações que misturam surpresa e admiração exagerada. Mary Silva, aos 42 anos, reflete sobre esse olhar e a forma como a presença feminina negra é frequentemente tratada como exceção. Desde sua infância, ela percebeu que a representatividade vai além da informação; é uma questão de identidade e espaço.

Como repórter da RBS TV, Mary carrega consigo o peso simbólico de representar milhares de meninas negras que buscam seu lugar no mercado de trabalho. Elementos como seu cabelo crespo e suas tatuagens, antes vistos como obstáculos, agora são parte de uma mudança que ela observa com orgulho. A adoção de políticas de diversidade nas empresas de comunicação tem aberto portas que antes pareciam inalcançáveis.

Desde cedo, Mary demonstrou um forte vínculo com as palavras. Alfabetizada aos quatro anos, cresceu cercada por livros e narrativas, sempre com o desejo de se comunicar. A escolha pelo Jornalismo surgiu naturalmente, apesar da resistência inicial de seu pai, que preferia que ela seguisse a carreira de Engenharia. Com o apoio da mãe, Mary se formou em 2006 pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Durante a faculdade, teve sua primeira experiência prática no Jornal Ibiá, onde aprendeu a importância da criatividade e rapidez no trabalho jornalístico. As pautas eram diversas e exigiam responsabilidade, especialmente em casos que afetavam a vida das pessoas. Essa vivência no interior do Estado a ensinou sobre a intensidade da política local e a necessidade de empatia na apuração das informações.

Após a formatura, ingressou no Grupo Sinos e atuou no Jornal NH, onde enfrentou a transição do papel para o digital. Essa fase foi marcada por um aprendizado intenso e moldou sua capacidade de adaptação, essencial em sua carreira. Durante sete anos, Mary trabalhou em diferentes núcleos, incluindo Moda e Negócios, onde descobriu seu interesse por estética e estilo, percebendo a Moda como uma forma de comunicação.

Essa afinidade com a Moda abriu portas para experiências em Marketing e projetos editoriais, além de sua passagem pelo Canal Rural, onde abordou temas do agronegócio. A pandemia trouxe novos desafios, e Mary se reinventou na comunicação interna, buscando formas de dialogar e construir vínculos em tempos difíceis.

Em 2022, uma nova oportunidade surgiu quando foi convidada a integrar a equipe editorial de Donna. A transição para a televisão reacendeu seu entusiasmo, permitindo que ela se conectasse com as pessoas de uma maneira única. Mary valoriza a importância do trabalho em equipe e a troca de experiências com colegas mais experientes, sempre buscando aprimorar suas habilidades.

Entre os desafios enfrentados, as enchentes de 2024 foram marcantes. Com apenas um ano de experiência na televisão, Mary produziu matérias em um cenário de destruição, exigindo resistência física e emocional. O reconhecimento veio com um prêmio em 2025, destacando a importância de pautas que abordam desigualdades sociais.

Em sua vida pessoal, Mary valoriza os laços familiares e a maternidade, encontrando no filho Leo a realização de um sonho. Longe das câmeras, ela se dedica a atividades simples, como cuidar de plantas e montar arranjos florais, que contrastam com a urgência do jornalismo. Além disso, mantém uma rotina de exercícios e aprecia o entretenimento, como séries e reality shows.

Mary reconhece que sua identidade vai além de títulos e cargos. Ser mulher preta e jornalista no Brasil envolve desafios diários, mas cada experiência a torna mais consciente e resiliente. Ela se define como determinada e persistente, e a fé é uma presença constante em sua vida, guiando-a em sua jornada profissional.

A inspiração para seguir seus sonhos vem de sua avó, Tereza, uma mulher forte e decidida. Mary deseja fortalecer sua presença no telejornalismo, mas também encontra abrigo em suas memórias, valorizando o legado familiar e as lições aprendidas ao longo da vida.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *