Fertilizantes sobem com conflito bélico, mas preços dos alimentos devem se manter estáveis; confira as projeções
A guerra no Oriente Médio pode impactar os preços dos alimentos no Brasil.
A escalada dos preços dos fertilizantes, em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, não deve ter um impacto imediato nos preços dos alimentos no Brasil este ano. A pressão mais significativa, no curto prazo, deve vir do aumento dos combustíveis.
Isso se deve ao fato de que grande parte da colheita de grãos já foi concluída ou está em fase final, incluindo arroz, soja e as primeiras safras de feijão e milho. O fertilizante já foi utilizado nessas culturas, conforme análise de especialistas do setor.
Por outro lado, a colheita do café, que inicia neste mês, foi plantada no ano anterior, enquanto as segundas safras de milho e feijão já foram semeadas. Embora os consumidores não sintam os efeitos imediatos, os produtores estão preocupados com a incerteza sobre a duração do conflito e suas consequências para as importações de adubo.
O Brasil é altamente dependente de fertilizantes, importando cerca de 85% do que consome, com ênfase em ureia, potássio e fosfatos. A dependência é ainda maior para nitrogênio e potássio, com importações que chegam a 90% e 96%, respectivamente.
O Oriente Médio é um fornecedor crucial, sendo o quarto maior parceiro comercial do Brasil nesse setor, atrás da Europa, Ásia e África. A região é responsável por uma parte considerável das exportações globais de ureia e amônia, o que significa que qualquer instabilidade no local pode afetar os preços no mercado internacional.
Impactos nos Cultivos
O aumento nos preços dos fertilizantes tende a elevar os custos de produção de maneira geral. Culturas que dependem fortemente de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) são as mais afetadas. O milho, por exemplo, é altamente dependente de fertilizantes nitrogenados.
Nos primeiros dias de conflito, o preço da ureia subiu 46%, e desde o início do ano, a alta já chega a 76%. Arroz e trigo também necessitam de grandes quantidades de nitrogênio, o que pode levar os produtores a considerar a redução da área plantada devido ao aumento dos custos.
A soja, embora exija menos nitrogênio, precisa de fósforo e potássio em grandes quantidades, e o aumento nos custos de reposição desses nutrientes pode impactar a produção. A cana-de-açúcar, por sua vez, também sofre com o aumento no uso de potássio, o que pode afetar a produtividade da indústria de açúcar e etanol.
Como os Fertilizantes Afetam os Preços
O aumento dos preços dos fertilizantes não se reflete imediatamente em alimentos mais caros para o consumidor. A alta nos custos dos adubos impacta a oferta ao longo do tempo, principalmente por meio da redução da área plantada e da queda de produtividade.
Com insumos mais caros, os produtores podem optar por plantar menos ou reduzir a aplicação de fertilizantes, o que afeta diretamente o volume colhido. Assim, o impacto dos fertilizantes nos preços dos alimentos pode ser sentido no médio prazo, mas é difícil prever uma tendência neste momento.
Além disso, o custo dos fertilizantes é apenas um dos fatores que influenciam a inflação de alimentos. O clima, por exemplo, pode ter um papel decisivo, podendo resultar em safras recordes ou em perdas devido a condições adversas, independentemente dos custos de insumos.
Historicamente, mesmo com altos custos de fertilizantes e combustíveis, o Brasil conseguiu colheitas recordes em anos favoráveis, o que desacelerou a inflação de alimentos. Atualmente, o preço dos combustíveis é um fator mais determinante na formação de preços, impactando diretamente a cadeia de transporte e distribuição.
