Cientista abandona USP e se dedica à criação de fazendas de gado na Amazônia para combater o desmatamento
Veterinário inova na pecuária para minimizar impacto ambiental e atender demanda crescente por carne.
Luís Fernando Laranja Fonseca, veterinário e ex-professor da USP, deixou a carreira acadêmica em busca de soluções para o desmatamento na Amazônia. Ele se mudou para Alta Floresta, no Mato Grosso, onde iniciou sua jornada em 2002.
Com 58 anos, Fonseca reflete sobre sua mudança de vida, que começou com a busca por modelos de negócios que valorizassem a floresta. Sua primeira iniciativa foi a Ouro Verde, focada na extração sustentável de castanha-do-pará, que, apesar do sucesso, não teve um impacto significativo no desmatamento.
Para ampliar seu impacto, Fonseca fundou a Kaeté Investimentos e, em 2019, criou a Caaporã, uma holding que administra 20 mil hectares em fazendas no Mato Grosso, Tocantins e Bahia. Ele busca tornar a produção de carne bovina mais sustentável, enfrentando o desafio do aumento projetado no consumo de carne.
O método de Fonseca envolve a recuperação de pastagens degradadas, onde o gado é alimentado com capim enriquecido com leguminosas, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos. Essa abordagem não só melhora a qualidade do solo, mas também acelera o crescimento do gado, diminuindo o tempo de engorda e, consequentemente, as emissões de metano.
Atualmente, o Brasil é um dos maiores emissores de metano, com a pecuária contribuindo significativamente para isso. O modelo tradicional de pecuária extensiva, que ocupa vastas áreas com baixa produtividade, é apontado como um dos principais responsáveis pelo desmatamento na Amazônia.
Fonseca propõe a pecuária intensiva, que utiliza áreas menores e tecnologia para aumentar a produtividade. Ele acredita que, se adotado em larga escala, esse modelo pode liberar milhões de hectares para restauração florestal, ajudando o Brasil a cumprir suas metas ambientais.
O veterinário também enfrenta desafios, como a resistência cultural dos produtores em mudar seu modelo de negócios e o acesso limitado a financiamentos para práticas mais sustentáveis. No entanto, ele aposta em incentivos econômicos e na venda de créditos de carbono para viabilizar sua proposta.
As práticas de Fonseca têm atraído a atenção de grandes empresas, como a Minerva Foods, que busca promover a pecuária regenerativa. A tendência por uma produção de carne de baixa emissão de carbono é crescente, embora ainda haja desafios significativos a serem superados.
A discussão sobre a pecuária e seu impacto ambiental foi intensificada durante a COP30, evidenciando a necessidade de alternativas sustentáveis. A falta de controle sobre o desmatamento na cadeia produtiva continua a gerar desconfiança entre os consumidores, destacando a importância de práticas transparentes e responsáveis.
