Descoberta nova espécie de planta rara em unidade de conservação no Rio Grande do Sul
Nova espécie de planta é descoberta no Parque Estadual do Espinilho, no Rio Grande do Sul.
Uma planta inédita para a ciência foi identificada no Parque Estadual do Espinilho, localizado no extremo oeste do Rio Grande do Sul, em Barra do Quaraí.
Denominada Grindelia mutabilis, essa nova espécie se desenvolve exclusivamente dentro dos limites do parque. A descoberta foi realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em colaboração com instituições parceiras, durante estudos sobre a classificação e identificação do gênero Grindelia, que pertence à família botânica Asteraceae, que inclui várias plantas conhecidas como margaridas e girassóis. O resultado da pesquisa foi publicado na revista científica internacional Plants.
Embora já existam registros antigos da planta, datados da década de 1940, ela vinha sendo erroneamente identificada como parte de outra espécie semelhante. A análise detalhada dos espécimes revelou que se tratava de uma nova espécie, com características distintas em sua morfologia de crescimento, folhas, flores e frutos.
O biólogo responsável pelo estudo, que faz parte de seu projeto de mestrado em Botânica na UFRGS, destacou que a pesquisa concentrou-se inicialmente nas espécies do gênero Grindelia no Brasil. Durante a investigação, foi realizada uma revisão taxonômica que revelou que a planta anteriormente conhecida como Grindelia scorzonerifolia, encontrada no parque, na verdade, não pertencia a essa espécie, mas sim a uma nova e não descrita até então.
A Grindelia mutabilis apresenta lígulas de coloração amarelo-claro, que mudam para um tom salmão à medida que amadurecem. Essa característica é única dentro do gênero, o que justifica o nome “mutabilis”. O biólogo também salientou que a morfologia singular da nova espécie ajuda a esclarecer questões taxonômicas no grupo Asteraceae.
A descrição dessa planta não só destaca sua singularidade, mas também indicou que a Grindelia mutabilis pode estar criticamente ameaçada de extinção, conforme avaliação preliminar do estado de conservação. O habitat da planta é bastante específico, preferindo solos arenosos e levemente salinos em regiões abertas da vegetação de espinilho, uma savana rara que praticamente sobrevive apenas no Parque Estadual do Espinilho.
Atualmente, os pesquisadores estimam que existam cerca de 35 indivíduos adultos da Grindelia mutabilis, todos localizados em uma área muito restrita, o que a classifica como criticamente ameaçada de extinção, de acordo com critérios internacionais.
A descoberta ressalta a importância do Parque Estadual do Espinilho para a preservação do bioma Pampa, um ecossistema único do Rio Grande do Sul. Além de contribuir com novas informações científicas, o parque desempenha um papel crucial na conservação da biodiversidade e oferece um valor ecológico significativo para a sociedade, como afirmou a diretora do Departamento de Biodiversidade da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura.
