Castores soltos no rio Ebro em 2003 chegam à Catalunha
Castores retornam à Espanha após séculos de desaparecimento, gerando debates sobre sua reintrodução.
Em 2005, o biólogo Juan Carlos Ceña fez uma descoberta surpreendente nas margens do rio Aragão. Durante suas pesquisas sobre o vison-europeu, ele encontrou indícios claros de que castores estavam presentes na região, como árvores derrubadas e excrementos característicos.
Embora não houvesse registros de castores na Espanha desde os séculos XVII ou XVIII, a evidência encontrada por Ceña levantou questões sobre a reintrodução desses animais no ecossistema espanhol. Em 2003, 18 castores europeus foram introduzidos ilegalmente na região, mas a identidade do responsável por essa ação permanece desconhecida.
Atualmente, castores foram avistados nos rios Tejo e Guadalquivir, mas sua presença não é considerada natural. Estudos indicam que a colonização dessas áreas levaria décadas se fosse feita de forma orgânica, uma vez que a população mais próxima está a uma distância considerável.
A situação se torna ainda mais alarmante em Andaluzia, onde a jornada de 365 quilômetros entre os locais de avistamento não poderia ser realizada pelos castores sem intervenção humana.
Após se estabelecerem em uma nova área, os castores não migraram, expandindo-se rapidamente. Em 2007, já haviam se espalhado por 60 quilômetros de margens de rios, e em 2023, alcançaram Mequinenza e o rio Ebro. Recentemente, a presença desses animais foi confirmada na região de Segrià, na província de Lleida.
A reintrodução dos castores à Espanha traz implicações complexas. Apesar de não ser uma notícia totalmente positiva ou negativa, a presença desses animais pode ter benefícios ecológicos significativos. Pesquisas recentes sugerem que os castores têm o potencial de transformar corredores fluviais em sumidouros de carbono, contribuindo para a recuperação de zonas úmidas e a purificação da água.
Assim, a chegada dos castores representa uma nova dinâmica ambiental, refletindo a adaptação da natureza e a necessidade de encontrar soluções para os desafios ecológicos contemporâneos. Em meio a essa situação, é essencial reconhecer que as espécies invasoras estão presentes e que a convivência com elas exigirá novas abordagens e estratégias de gestão ambiental.
