Nova lei promete aumentar a qualidade do chocolate no Brasil com mais cacau

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Nova legislação redefine categorias de chocolate no Brasil

A proposta de nova legislação pretende estabelecer definições mais claras para diferentes tipos de chocolate, incluindo amargo e meio amargo.

Atualmente, a legislação brasileira só reconhece duas categorias de chocolate, o que tem gerado discussões no setor. Especialistas afirmam que as mudanças propostas podem ter um impacto limitado na prática.

Entre os motivos apontados, destaca-se que muitos fabricantes já utilizam quantidades de cacau superiores ao mínimo exigido, visando atender um público mais exigente. Além disso, um novo tipo de produto, conhecido como “sabor chocolate”, tem ganhado popularidade, apresentando teores mais baixos de cacau.

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) manifestou preocupações sobre a proposta, afirmando que as novas definições podem restringir a pesquisa e a inovação no setor, além de complicar a criação de novas categorias.

Como é hoje e como deve ficar?

Atualmente, a legislação de 2022 define apenas dois tipos de chocolate. O primeiro é o chocolate comum, que deve conter pelo menos 25% de sólidos de cacau. O segundo é o chocolate branco, que precisa ter no mínimo 20% de sólidos de manteiga de cacau.

Com a nova legislação, as definições incluirão:

🍫 Chocolate amargo ou meio amargo: deverá conter no mínimo 35% de sólidos totais de cacau, sendo que pelo menos 18% devem ser manteiga de cacau.

🍫 Chocolate em pó: exigirá no mínimo 32% de sólidos totais de cacau.

🍫 Chocolate ao leite: deverá ter no mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos de leite.

🍫 Chocolate branco: isento de corantes, com pelo menos 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos de leite.

A nova legislação também abordará a composição de subprodutos do cacau, mas não estipulará quantidades mínimas de cacau para esses itens.

Qualidade vai aumentar?

Segundo especialistas, a alteração na legislação não garantirá uma melhoria na qualidade do chocolate disponível no mercado. O setor é dividido em diferentes segmentos, cada um atendendo a públicos distintos.

🍫 Chocolates finos: marcas que selecionam amêndoas diretamente de produtores, utilizando entre 70% e 80% de sólidos de cacau em suas formulações.

🍫 Chocolates industriais premium: algumas marcas de chocolate industrializado também utilizam teores mais elevados de sólidos de cacau, variando entre 50% e 70%.

🍫 Chocolates industriais populares: este segmento já opera com os teores mínimos exigidos pela legislação. O aumento nos preços do cacau levou à criação de produtos “sabor chocolate”, que utilizam menos cacau.

“A aceitação de menores teores de cacau pelo público é evidente, especialmente entre aqueles com menor poder aquisitivo”, afirma um especialista do setor.

Além disso, alguns fabricantes utilizam apenas a casca da amêndoa, que possui um leve sabor de chocolate, para reduzir custos.

Vai aumentar as vendas de cacau?

Embora a nova legislação possa sugerir um aumento na quantidade de cacau nos chocolates, isso não necessariamente resultará em um aumento significativo nas vendas de amêndoas. Especialistas indicam que a indústria pode precisar de ajustes, mas os impactos sobre a oferta e a demanda serão mínimos.

“O aumento no consumo de amêndoas deve ser modesto, considerando que o Brasil representa apenas 4% do mercado global”, explica um pesquisador.

Além disso, a preferência da indústria por amêndoas importadas, que são isentas de impostos, pode limitar a demanda por cacau brasileiro. No entanto, produtores locais afirmam que estão prontos para atender a qualquer nova demanda que surja.

O cenário atual sugere que, apesar das mudanças na legislação, o mercado de chocolate continuará a evoluir com suas complexidades e desafios.

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