Pesquisa revela que apenas 3% das mulheres ocupam cargos de diretoria no Brasil
Desigualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro é alarmante
A imensa maioria das mulheres brasileiras atualmente empregadas não ocupa cargos de liderança. Apenas 3% das respondentes de um estudo recente ocupam posições de diretoria ou liderança sênior, enquanto 5% estão em cargos de coordenação ou gestão. A maior parte encontra-se no início da carreira (21%) ou em funções de especialista/analista (17%).
O cenário geral é ainda mais preocupante, com 54% das mulheres brasileiras fora do mercado de trabalho. O desemprego é mais intenso entre profissionais com 45 anos ou mais, onde 60% estão fora do mercado. Esses dados fazem parte de uma pesquisa que contou com 1.022 respondentes, revelando a gravidade da situação.
É evidente que ampliar a presença feminina em posições de liderança vai além de simplesmente abrir vagas. É essencial criar condições estruturais que permitam que as mulheres avancem, permaneçam e se desenvolvam nessas posições ao longo de suas carreiras. Muitas mulheres ainda enfrentam obstáculos significativos para acessar cargos de liderança no Brasil.
Além disso, a pesquisa aponta que 45% das entrevistadas percebem igualdade de gênero em cargos de liderança nas empresas em que trabalham. No entanto, 27% afirmam que a desigualdade é explícita, enquanto 19% identificam diferenças mais sutis. Muitas organizações acreditam promover a igualdade, mas a prática diária revela barreiras invisíveis que limitam a ascensão feminina.
Desigualdades estruturais e autocensura
A análise também destaca que grupos minorizados, como mulheres pretas, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência, enfrentam oportunidades ainda mais limitadas, com 62% relatando uma ascensão não-igualitária. Políticas que consideram apenas o gênero não resolvem as barreiras estruturais que afetam mulheres maduras ou de grupos minoritários.
Além do desemprego e da desigualdade estrutural, a pesquisa evidencia a autocensura e a insegurança psicológica. Apenas 33% das mulheres se sentem à vontade para se posicionar, errar ou negociar. Em contrapartida, 45% afirmam que precisam ser cautelosas, e 22% sentem que o ambiente não favorece discordâncias ou erros.
Para reverter esse quadro, é fundamental não apenas criar vagas inclusivas ou programas de capacitação, mas também repensar o ambiente corporativo. É necessário garantir que os erros sejam vistos como oportunidades de aprendizado para todos e que o talento feminino possa se traduzir em liderança real, independentemente da idade ou contexto.
