Demanda pela China impulsiona preços da arroba do boi em março; expectativas para abril
Mercado de boi gordo apresenta oscilações em março e perspectivas para abril.
O mercado físico do boi gordo no Brasil mostrou um panorama diversificado ao longo de março. Na primeira quinzena, a situação foi impactada por fatores externos, levando a uma pressão sobre os preços.
O início do mês trouxe dificuldades logísticas devido ao conflito no Oriente Médio, resultando em uma queda nos preços da arroba, já que a indústria frigorífica se viu obrigada a ajustar suas operações. Isso fez com que os preços da arroba fossem reavaliados para baixo.
Na segunda quinzena, com a oferta limitada e as condições favoráveis das pastagens no Centro-Norte, o foco do mercado se voltou para a China. O Brasil busca cumprir uma cota de 1,1 milhão de toneladas destinada ao país este ano, o que gerou uma aceleração nas exportações de carne bovina.
Essa movimentação trouxe um aumento nas negociações, estabelecendo novos patamares de preço em diversas regiões do país, com a expectativa de que os embarques continuem elevando os preços da arroba.
O que esperar de abril?
Ainda que o cenário de alta nos preços da arroba esteja em ascensão, a continuidade desse ritmo de embarques pode levar ao esgotamento da cota destinada ao Brasil entre maio e julho. Esse fator é motivo de preocupação para os analistas do setor.
Um possível esvaziamento das exportações no terceiro trimestre pode resultar em uma queda acentuada nos preços da arroba, coincidindo com o período em que novos animais provenientes de confinamentos são esperados no mercado.
Além disso, a situação de aftosa na China é um aspecto que merece atenção. Embora um caso isolado não deva alterar significativamente o cenário atual, um aumento nos casos pode impactar consideravelmente a dinâmica das exportações.
Variação de preços da arroba
No final de março, os preços do boi gordo na modalidade a prazo apresentaram variações que refletiram as oscilações do mercado durante o mês. Os valores registrados foram os seguintes:
- São Paulo (Capital): R$ 360, mantendo-se estável em relação ao final de fevereiro;
- Goiás (Goiânia): R$ 340, sem alteração frente ao fechamento de fevereiro;
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 345, um aumento de 1,47% em relação aos R$ 340 registrados no fim de fevereiro;
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 350, subindo 2,94% em comparação aos R$ 340 do mês anterior;
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 355, com um crescimento de 4,41% em relação ao fechamento de fevereiro;
- Rondônia (Vilhena): R$ 320, alta de 3,13% sobre os R$ 310 registrados no final de fevereiro.
Mercado atacadista
No segmento atacadista, os preços da carne bovina se mostraram resilientes ao longo de março, impulsionados pela restrição da oferta no mercado interno e pela alta demanda de exportação para a China. A pressão por preços deve continuar enquanto essa dinâmica prevalecer.
Adicionalmente, a demanda por carne de frango permanece aquecida, o que poderá continuar a favorecer o consumo de proteínas alternativas mais acessíveis, como ovos e embutidos, ao longo do ano.
- Quarto do dianteiro: cotado a R$ 21,80 por quilo em março, com um aumento de 3,81% em relação aos R$ 21,00 por quilo do fim de fevereiro;
- Cortes do traseiro bovino: avaliados a R$ 27,50 por quilo, com um avanço de 1,85% em comparação aos R$ 27,00 por quilo do final de fevereiro.
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