CIOs que aguardam consenso para implementar IA estão perdendo tempo, afirma executivo da Thoughtworks
A inteligência artificial redefine a liderança nas empresas e a forma como decisões são tomadas.
A inteligência artificial (IA) se tornou uma presença indispensável nas salas de diretoria, transformando a dinâmica de tomada de decisões nas empresas. De acordo com especialistas do setor, essa mudança não apenas redefine quem está no comando da tecnologia, mas também altera as expectativas em relação aos líderes. A consultoria Thoughtworks, com atuação em 18 países, observa que o perfil dos clientes está mudando, com CEOs buscando entender como implementar e medir resultados com IA.
Para os líderes de tecnologia, a adaptação a essa nova realidade é crucial. A primeira recomendação é cultivar uma cultura organizacional que favoreça a inovação. É fundamental identificar e apoiar os profissionais mais entusiasmados com a IA, garantindo que eles tenham espaço para experimentar e liderar a transformação, em vez de depender de comitês que podem atrasar o progresso.
Em segundo lugar, é essencial estabelecer uma governança de dados e IA integrada, que funcione como a espinha dorsal da empresa. Muitas organizações tratam a governança como uma mera formalidade, mas uma abordagem eficaz pode não apenas proteger a empresa, mas também gerar resultados positivos rapidamente. Isso envolve, por exemplo, que a arquitetura da governança restrinja automaticamente o acesso a dados sensíveis, em vez de depender apenas de diretrizes manuais.
Por fim, a terceira recomendação é reimaginar a estrutura organizacional com a IA no centro das operações. CEOs já estão questionando como a produtividade pode ser multiplicada se cada colaborador puder realizar suas tarefas de forma mais eficiente. Essa discussão agora faz parte da agenda das reuniões de diretoria, refletindo uma mudança significativa na abordagem empresarial.
A era dos agentes autônomos
Com a evolução da tecnologia, 2026 é visto como o ano em que os agentes autônomos de IA começarão a operar em larga escala. Diferentemente dos copilotos, que respondem a comandos, esses agentes serão capazes de atuar de forma independente, tomando decisões ao longo do tempo sem a necessidade de intervenção constante.
A expansão do tempo de operação desses agentes é uma tendência crescente, permitindo que eles funcionem por períodos mais longos e se integrem nas operações diárias das empresas. No entanto, um dos maiores desafios ainda é a verificação da qualidade do trabalho realizado por esses sistemas. É necessário desenvolver um conceito robusto de prova que assegure não apenas a conclusão das tarefas, mas também a sua qualidade.
Essa complexidade é aumentada pela diversidade das tarefas que os agentes realizam, que variam de programação a redação. A falta de uma linguagem comum para avaliar a qualidade entre diferentes tipos de trabalho representa um obstáculo significativo para a adoção generalizada da IA.
O ritmo de adoção da IA tende a ser desigual, com algumas empresas avançando rapidamente enquanto outras permanecem lentas. As organizações que implementaram IA no ano anterior estão agora focadas na escalabilidade, enquanto aquelas que não conseguiram estão apenas começando. Contudo, a tecnologia ainda não foi totalmente explorada em seu potencial máximo.
Brasil no centro da era agêntica
A América Latina possui uma vantagem cultural que favorece a adoção de IA, com uma disposição natural para experimentar e aprender com os erros. Essa característica contrasta com a abordagem mais cautelosa da Europa, que, embora tenha um forte arcabouço de proteção de dados, pode inibir inovações tecnológicas.
O Brasil, em particular, desempenha um papel crucial nesse cenário. A Thoughtworks, que começou suas operações no país em 2010, ampliou sua presença em várias cidades e agora conta com uma equipe significativa de especialistas em dados e IA. São Paulo é vista como o epicentro financeiro da América Latina, e a expectativa é que a região lidere a adoção de IA nas empresas.
A consultoria busca que o Brasil seja um exemplo de como implementar a inteligência artificial de maneira eficaz, servindo de modelo para outros mercados latino-americanos. A experiência do executivo em empresas de tecnologia reforça a ideia de que a disposição para mudar e inovar será o diferencial na era dos agentes autônomos.
O que separa as empresas que avançam das que ficam estagnadas é a mentalidade. Esperar por consenso interno pode levar ao atraso na adoção de tecnologias essenciais.
