Master revela pagamentos a Temer, Rueda, Mantega, Lewandowski e ACM Neto

Compartilhe essa Informação

Documentos da Receita Federal revelam repasses milionários do Banco Master a políticos e empresas.

Documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado revelam que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, fez repasses significativos a diversos políticos e escritórios de advocacia. Entre os beneficiados estão figuras como Michel Temer, Antônio Rueda, Ratinho Junior e Guido Mantega.

De 2024 a 2025, o Banco Master pagou R$ 18,5 milhões a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, de Guido Mantega. Esses valores refletem a relação financeira entre o banco e personalidades influentes na política brasileira.

Além disso, o banco destinou R$ 10 milhões ao escritório de Temer em 2025 e R$ 6,4 milhões a dois escritórios de Rueda, presidente do União Brasil. A situação destaca a intersecção entre finanças e política, levantando questões sobre a ética nas transações financeiras.

Empresas ligadas à família Massa, do apresentador Ratinho, também foram mencionadas. A Gralha Azul Empreendimentos e Participações recebeu R$ 3 milhões em 2022, enquanto a Massa Intermediação recebeu R$ 21 milhões de 2022 a 2025. Ratinho, conhecido por sua atuação publicitária, era um dos rostos do cartão de consignado do banco.

Em resposta, a assessoria do Grupo Massa defendeu a transparência de suas operações e distanciou a atuação da empresa de qualquer irregularidade. Ratinho Junior não respondeu aos contatos feitos.

Meirelles confirmou ter prestado consultoria ao Master até julho de 2025, enquanto Temer alegou ter recebido um valor menor por seus serviços. Rueda não se manifestou, e tentativas de contato com Mantega não foram bem-sucedidas.

Os documentos também revelam pagamentos à BN Financeira, de Bonnie Bonilha, nora do líder do governo Lula no Senado, totalizando R$ 12 milhões entre 2022 e 2025. Jaques Wagner, senador, foi listado como beneficiário de uma quantia menor, que ele afirma ser proveniente de rendimentos de aplicações.

Os dados indicam ainda que o Master pagou cerca de R$ 80 milhões a escritórios de advocacia, incluindo o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Parte dos valores foi retida devido a impostos.

A Lewandowski Advocacia recebeu pelo menos R$ 6,1 milhões, com pagamentos iniciando em novembro de 2023. O escritório, que inclui familiares de Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF, prestou serviços de consultoria jurídica ao banco.

O banco também fez pagamentos de R$ 5,45 milhões para a A&M Consultoria Ltda, de ACM Neto, e R$ 3,8 milhões para a WF Comunicação, de Fabio Wajngarten. Ambos os consultores afirmaram que os serviços foram prestados de forma legal e transparente.

As respostas dos envolvidos variaram, com alguns reconhecendo os pagamentos e outros negando qualquer irregularidade. O Banco Master, por sua vez, ainda não se pronunciou sobre as alegações.

Vorcaro, o proprietário do banco, foi preso novamente em março sob suspeita de fraudes e negocia um acordo de delação premiada, o que pode trazer mais informações à tona sobre as operações financeiras do banco e suas conexões políticas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *