Redes de varejo da Europa exigem resposta das tradings após saída da Moratória da Soja
Redes de varejo europeias cobram tradings após saída da Moratória da Soja.
Grandes redes de varejo do Reino Unido e de toda a Europa enviaram uma carta aos líderes globais das principais tradings agrícolas, solicitando um posicionamento formal sobre a retirada do acordo coletivo da Moratória da Soja. O documento determina que as empresas devem se manifestar até 16 de fevereiro, com avaliações individuais sendo realizadas por cada varejista.
Os supermercados reiteraram a necessidade de excluir a soja produzida em áreas desmatadas do bioma Amazônia após julho de 2008, mesmo com a descontinuação do acordo coletivo. A carta foi endereçada aos CEOs de empresas como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Company e Cofco International, com cópias enviadas a autoridades ambientais brasileiras.
Entre os signatários, destacam-se redes como Tesco, Sainsbury’s, Asda, Aldi, Lidl, Marks & Spencer, Morrisons e Ocado. Eles expressaram profunda decepção com a saída da Abiove do pacto, estabelecido em 2006, enfatizando que essa decisão pode enfraquecer os esforços de combate ao desmatamento e comprometer a sustentabilidade dos investimentos em soja no Brasil.
Os varejistas europeus afirmaram que, do ponto de vista das regras de compra, nada muda com a saída das tradings da moratória. Mesmo com a indefinição dos compromissos das empresas, as exigências dos supermercados permanecem inalteradas, incluindo a proibição de soja oriunda de áreas desmatadas após 2008.
A carta também impôs um prazo para que as tradings respondam, estabelecendo 16 de fevereiro de 2026 como data limite para avaliar a conformidade com os critérios ambientais requeridos e definir a continuidade das relações comerciais.
Frentes de cobrança
O documento apresenta três áreas principais de cobrança. No plano estratégico, solicita que as tradings informem se planejam reingressar na moratória. No âmbito das políticas corporativas, pede confirmação sobre a manutenção dos compromissos climáticos e a validade da data de corte de 2008. Quanto ao aspecto operacional, exige a descrição dos controles de compra para garantir soja livre de desmatamento, além de um compromisso com monitoramento e verificação independentes.
A pressão do varejo europeu se intensificou após a Abiove anunciar a intenção de se desfiliação do Termo de Compromisso da Moratória da Soja, representando as maiores tradings agrícolas operando no Brasil.
Fim do acordo da Moratória da Soja
A decisão de descontinuar a moratória está vinculada à nova legislação de Mato Grosso, que condiciona incentivos fiscais ao cumprimento da legislação ambiental e proíbe benefícios a empresas que participem de acordos com requisitos superiores à lei federal. Embora a norma tenha sido suspensa anteriormente, voltou a vigorar após decisão do Supremo Tribunal Federal.
A Abiove declarou que a moratória cumpriu um papel histórico e que sua descontinuação não significa a derrogação de padrões socioambientais, mas uma transição para políticas individuais de compra. Cada empresa, a partir de então, deverá responder autonomamente por suas práticas de aquisição.
Entretanto, o fim do acordo gera incerteza na cadeia produtiva, levando os varejistas a reiterarem que, sem um pacto coletivo, cada tradings será avaliada individualmente. A Moratória da Soja, estabelecida em 2006, visava não comercializar soja de áreas desmatadas após 2008, evitando o desmatamento de aproximadamente 17 mil quilômetros quadrados durante sua vigência.
A Europa é responsável por cerca de 10% do consumo global de soja. No Brasil, a saída das tradings foi recebida com celebração por associações de produtores, enquanto organizações ambientalistas expressaram preocupação com riscos ambientais e climáticos resultantes dessa mudança.
