Peru realiza eleições fragmentadas após uma década de presidentes efêmeros e marcada pela violência

Compartilhe essa Informação

Peruanos enfrentam eleições presidenciais em meio a crise política e aumento da criminalidade.

Neste domingo, os peruanos vão às urnas para eleger um novo chefe de Estado, em um cenário marcado por uma instabilidade política crônica e um alarmante aumento da criminalidade. Com mais de 27,3 milhões de eleitores convocados, a eleição conta com um recorde de 35 candidatos.

A diversidade de candidatos reflete a confusão e a gravidade da crise política que o país enfrenta. Nos últimos dez anos, o Peru viu a sucessão de oito presidentes, e agora os cidadãos precisam decidir quem irá substituir o presidente interino José María Balcázar, em um momento de incertezas.

O combate ao crime organizado emergiu como o tema central desta campanha eleitoral, uma mudança significativa após 30 anos. A insegurança, exacerbada pela presença de grupos criminosos estrangeiros, se tornou a principal preocupação da população. A taxa de homicídios disparou, e as queixas de extorsão aumentaram consideravelmente.

Nesse cenário preocupante, quase todos os candidatos destacaram a luta contra a criminalidade como prioridade, embora tenham encontrado dificuldade em se diferenciar em suas propostas.

Discursos de linha dura

Com o voto obrigatório, os discursos de linha dura têm atraído a preferência dos eleitores para candidatos de direita. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, tem se destacado ao prometer a expulsão de imigrantes e uma aproximação com os Estados Unidos, caso seja eleita. Em um comitê de campanha em Lima, ela afirmou que seu objetivo será incentivar os EUA a se envolverem mais na economia peruana.

Keiko, que tenta a presidência pela quarta vez, é considerada uma das favoritas, competindo com candidatos como o centrista Ricardo Belmont, o humorista de direita Carlos Álvarez e o ultraconservador Rafael López Aliaga pelo segundo turno.

Além disso, muitos eleitores se sentem desorientados ao se preparar para este primeiro turno, que também marca a transição de um Congresso unicameral, uma mudança significativa desde 1990, ao escolher deputados e senadores.

O clima de desconfiança em relação à classe política é palpável, resultado de anos de destituições e escândalos de corrupção. Pesquisas indicam que mais de 90% da população não confia em seu governo ou no Parlamento, os índices mais altos da América Latina.

Apesar das dificuldades políticas, a economia do Peru se mantém como uma das mais estáveis da região, apresentando a inflação mais baixa da América Latina.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *