Keiko Fujimori celebra avanço para o segundo turno no Peru enquanto adversário permanece indefinido
Keiko Fujimori se destaca nas eleições peruanas, mas enfrenta desafios eleitorais e sociais.
A candidata Keiko Fujimori celebrou os resultados preliminares das eleições no Peru, que a colocam como favorita para o segundo turno marcado para junho. A apuração, no entanto, avança lentamente, gerando questionamentos sobre a autoridade eleitoral devido a atrasos e incidentes que ampliaram o horário de votação.
Em um discurso, Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, afirmou que os resultados são um sinal positivo para o país, destacando a necessidade de enfrentar a esquerda, a qual considera seu principal adversário. A disputa pela segunda vaga no segundo turno está acirrada, com vários candidatos, incluindo o ultraconservador Rafael López Aliaga, que se destaca nas pesquisas.
O novo presidente enfrentará grandes desafios, como a elevada criminalidade e a instabilidade política que resultou na troca de oito presidentes na última década. Com 40% dos votos apurados, Fujimori lidera a contagem, mas a situação é complicada por problemas logísticos que impediram quase 63 mil eleitores de votar devido à falta de cédulas e urnas.
Martha Tumba, uma eleitora de 81 anos, expressou sua indignação durante um protesto, ressaltando a gravidade da situação eleitoral no país. Longas filas foram registradas em diversos locais de votação, e candidatos criticaram as falhas no processo. López Aliaga chamou a situação de “fraude eleitoral gravíssima” e anunciou a convocação de um protesto cidadão.
A disputa eleitoral também revelou a desconfiança generalizada dos peruanos em relação aos políticos, que são vistos como responsáveis pela violência e pela presença de grupos criminosos transnacionais. Os discursos de campanha focaram no combate à criminalidade, com propostas radicais de vários candidatos.
Desde 2016, o Peru teve oito presidentes, muitos deles destituídos por um Parlamento amplamente rejeitado pela população. Em uma entrevista antes da eleição, Keiko Fujimori prometeu expulsar migrantes em situação irregular e atrair investimentos americanos, alinhando-se a um bloco de governos de direita na região.
Os eleitores receberam uma cédula de 44 centímetros de comprimento, que pela primeira vez também inclui a escolha de deputados e senadores, com o restabelecimento do Parlamento bicameral previsto para julho. Apesar dos desafios, o Peru continua a ser uma das economias mais estáveis da América Latina, com a menor inflação do continente e crescimento nas exportações minerais.
