Caiado se despede do cargo em Goiás com pelo menos 10 familiares na administração pública

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Ex-governador de Goiás mantém familiares em cargos comissionados no governo estadual.

Após deixar o cargo de governador, Ronaldo Caiado (PSD) continua a influenciar a administração pública de Goiás através de familiares que ocupam posições comissionadas. Um levantamento revela que pelo menos dez parentes diretos estão em funções dentro da estrutura do governo.

O total de Caiados na folha de pagamento do estado é impressionante, com 50 membros da família recebendo juntos mais de R$ 650 mil mensais. Essa soma inclui não apenas comissionados, mas também servidores efetivos, aposentados, pensionistas e temporários. Quando se considera a inclusão de familiares com sobrenomes diferentes, o número de vínculos se amplia ainda mais.

Entre os dez parentes comissionados, a maioria são primos do ex-governador, além de um cunhado. Um dos primos, Adriano da Rocha Lima, ocupa o cargo de assessor na Secretaria de Relações Institucionais e é cogitado para ser vice na chapa do atual governador, Daniel Vilela (MDB).

Adriano justifica sua nomeação alegando que o grau de parentesco é distante. Outros familiares, como Andrea Parrode da Rocha Lima Dantas, que é chefe de gabinete na Secretaria de Esporte e Lazer, também fazem parte desse grupo. Juliana Ramos Caiado, prima de Caiado, atua como assessora especial na Secretaria de Desenvolvimento Social.

Paulo Henrique Caiado Canedo, primo do ex-governador, é conselheiro do Conselho Administrativo Tributário e assessor na Assembleia Legislativa de Goiás. Jorge Luiz Ramos Caiado Júnior, outro primo, é chefe de Gabinete na Secretaria de Administração.

Ronaldo Caiado defende que todas as contratações foram analisadas pela Procuradoria-Geral do Estado e estão em conformidade com a legislação vigente, incluindo a súmula vinculante nº 13 do STF, que trata sobre nepotismo.

Especialistas em direito administrativo apontam que, apesar da defesa do ex-governador, as nomeações podem ser questionadas judicialmente por infringirem princípios constitucionais de moralidade e impessoalidade. O conceito de nepotismo, embora não se aplique diretamente a primos, ainda levanta preocupações sobre a ética nas contratações públicas.

Outro aspecto relevante é a nomeação de pessoas ligadas à família em cargos de primeiro escalão. No governo de Caiado, Cesar Augusto de Sotkeviciene Moura, casado com uma prima do ex-governador, liderou a Secretaria de Estado da Retomada. A reportagem tentou contato com Moura, mas não obteve resposta.

Para os especialistas, mesmo as contratações dentro das exceções legais podem gerar ações judiciais que questionem a moralidade e a eficiência da administração pública. A utilização de recursos públicos e a ocupação de funções essenciais para a sociedade exigem uma análise crítica das atitudes dos governantes.

Além disso, a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), que mantém parceria com o governo, também apresenta vínculos familiares. A esposa de um primo de Caiado e dois sobrinhos da ex-primeira-dama Gracinha Caiado estão na folha de pagamento da entidade, que recebeu um aumento significativo no repasse do estado.

Adryanna Leonor Melo de Oliveira Caiado, casada com um primo do ex-governador, ocupa a diretoria geral da OVG, além de presidir o conselho de administração da Goiás Parcerias e ser conselheira na Saneago. A OVG afirma que sua nomeação foi aprovada e que sua experiência foi fundamental para a posição.

Gracinha Caiado, ex-presidente de honra da OVG, destaca que a entidade tem liderado programas importantes de assistência social. O ex-governador reafirma que todos os servidores mencionados possuem qualificação técnica e desempenham suas funções sem irregularidades.

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